domingo, 20 de agosto de 2017

ALMA CONFIRMA QUE TITÃ TEM QUÍMICO QUE PODE FORMAR "MEMBRANAS"


Dados de arquivo do ALMA confirmaram que as moléculas de acrilonitrila residem na atmosfera de Titã, a maior lua de Saturno. Titã é aqui vista numa composição ótica (atmosfera) e infravermelha (superfície) pela Cassini da NASA. Num ambiente de metano líquido, a acrilonitrila pode formar membranas.
Crédito: B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); NASA
Titã, a lua gelada de Saturno, tem uma atmosfera curiosa. Além de uma mistura nublada de azoto e de hidrocarbonetos como o metano e o etano, a atmosfera de Titã também contém uma série de moléculas orgânicas mais complexas, incluindo acrilonitrila (cianeto de vinila), que os astrónomos descobriram recentemente em dados de arquivo do ALMA. Sob as condições ideais, como aquelas encontradas à superfície de Titã, a acrilonitrila pode coalescer naturalmente em esferas microscópicas que se assemelham a membranas celulares.
A maior lua de Saturno, Titã, é um dos corpos mais intrigantes e parecidos com a Terra do nosso Sistema Solar. É quase tão grande quanto Marte e tem uma atmosfera espessa constituída principalmente de azoto com uma pequena quantidade de moléculas orgânicas à base de carbono, incluindo metano (CH4) e etano (C2H6). Os cientistas planetários teorizam que esta composição química é parecida à atmosfera primordial da Terra.
As condições em Titã, no entanto, não são propícias à formação de vida como a conhecemos; é simplesmente demasiado fria. Dez vezes mais distante do que a Terra do Sol, o satélite Titã é tão frio que chove metano líquido para a sua superfície gelada e sólida, formando rios, lagos e mares.
No entanto, estes corpos líquidos de hidrocarbonetos criam um ambiente único que pode ajudar as moléculas de acrilonitrila (C2H3CN) a se unirem para formar membranas, características que se assemelham às membranas celulares lipídicas de organismos vivos na Terra.
Usando dados de arquivo do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), recolhidos ao longo de uma série de observações entre fevereiro e maio de 2014, astrónomos encontraram evidências convincentes de que moléculas de cianeto de vinila estão realmente presentes em Titã e em quantidades significativas.
"A presença de cianeto de vinila num ambiente com metano líquido sugere a possibilidade intrigante de processos químicos análogos àqueles importantes para a vida na Terra," afirma Maureen Palmer, investigadora do Cento de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, e autora principal de um artigo publicado na revista Science Advances.
Os estudos anteriores da nave espacial Cassini, bem como simulações laboratoriais da atmosfera de Titã, inferiram a provável presença de acrilonitrila em Titã, mas só com o ALMA foi possível uma deteção definitiva.
Ao analisarem os dados de arquivo, Palmer e colegas encontraram três sinais distintos - picos no espectro do comprimento de onda milimétrico - que correspondem à acrilonitrila. Estas assinaturas reveladoras têm origem a, pelo menos, 200 quilómetros acima da superfície de Titã.
A atmosfera de Titã é uma verdadeira fábrica de produtos químicos, aproveitando a luz do Sol e a energia de partículas velozes que orbitam Saturno para converter moléculas orgânicas simples em produtos químicos maiores e mais complexos.
"À medida que o nosso conhecimento da química de Titã cresce, torna-se cada vez mais evidente que as moléculas orgânicas complexas surgem naturalmente em ambientes semelhantes aos encontrados numa jovem Terra, mas existem diferenças importantes," acrescenta Martin Cordiner, também do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e coautor do artigo.
Por exemplo, a lua Titã é muito mais fria que a Terra em qualquer período da sua história. Titã tem uma temperatura média de 95 kelvins, de modo que a água à sua superfície permanece no estado sólido. As evidências geológicas também sugerem que a Terra primitiva teve concentrações altas de dióxido de carbono (CO2); Titã não tem. A superfície rochosa da Terra também foi freneticamente ativa, com vulcanismo extenso e impactos constantes de asteroides, que podem ter afetado a evolução da nossa atmosfera. Em comparação, a crosta gelada de Titã parece bastante dócil.
"Continuamos a usar o ALMA para fazer mais observações da atmosfera de Titã," conclui Conor Nixon, também do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e coautor do artigo. "Estamos à procura de produtos químicos orgânicos, novos e mais complexos, bem como a estudar os padrões de circulação atmosférica desta lua. No futuro, os estudos de resolução mais elevada lançarão mais luz sobre este mundo intrigante e, esperançosamente, fornecerão novas informações sobre o potencial de Titã para a química pré-biótica."

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

CASSINI COMEÇA AS CINCO ÓRBITAS FINAIS EM TORNO DE SATURNO


Esta impressão de artista mostra a Cassini enquanto faz um dos seus cinco mergulhos finais através da atmosfera superior de Saturno em agosto e setembro de 2017.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
A sonda Cassini da NASA vai entrar em novo território durante a sua última fase da missão, o Grande Final, enquanto se prepara para embarcar num conjunto de passagens ultra-próximas através da atmosfera superior de Saturno nas suas cinco órbitas finais em redor do planeta.
A Cassini fará a primeira dessas passagens sobre Saturno às 05:22 de dia 14 de agosto. O ponto de maior aproximação ao planeta, durante estas passagens, estará situado entre os 1630 e os 1710 quilómetros acima do topo das nuvens de Saturno.
Espera-se que a nave encontre atmosfera densa o suficiente para exigir a utilização dos seus pequenos propulsores a fim de manter a estabilidade - condições parecidas às encontradas durante muitos dos "flybys" próximos da lua Titã, que tem a sua própria atmosfera densa.
"As passagens rasantes da Cassini por Titã prepararam-nos para estas passagens rápidas através da atmosfera superior de Saturno," comenta Earl Maize, gestor do projeto Cassini no JPL da NASA no estado norte-americano da Califórnia. "Graças à nossa experiência passada, estamos confiantes que entendemos como é que a nave se irá comportar às densidades atmosféricas que os nossos modelos preveem."
Maize disse que a equipa considerará a passagem de 14 de agosto como normal se os propulsores operarem entre 10 e 60% da sua capacidade. Se os motores forem forçados a trabalhar com mais força - o que significa que a atmosfera é mais densa do que os modelos preveem - os engenheiros vão aumentar a altitude das órbitas subsequentes. Referida como "manobra pop-up", os propulsores serão usados para aumentar a altitude da maior aproximação nas próximas passagens, provavelmente até 200 km.
Se a "manobra pop-up" não chegar a ser necessário, e a atmosfera for menos densa do que o esperado durante as primeiras três passagens, os engenheiros poderão, alternativamente, usar a opção "pop-down" para diminuir a altitude da maior aproximação durante as últimas duas órbitas, também provavelmente até 200 km. Isso permitirá com que os instrumentos científicos da Cassini, especialmente o INMS (Ion and Neutral Mass Spectrometer), obtenham dados sobre a atmosfera ainda mais perto do topo das nuvens do planeta.
"Ao fazer estes cinco mergulhos em Saturno, seguidos pelo seu mergulho final, a Cassini tornar-se-á na primeira sonda atmosférica de Saturno," comenta Linda Spilker, cientista do projeto Cassini no JPL. "Há muito que é um objetivo na exploração planetária, o de enviar uma sonda dedicada para a atmosfera de Saturno, e estamos a construir as bases para a exploração futura com esta primeira incursão."
Outros instrumentos da Cassini farão observações detalhadas e de alta resolução das auroras, das temperaturas e dos vórtices nos polos de Saturno. O seu radar vai penetrar nas profundezas da atmosfera para revelar características de pequena escala com até 25 km de diâmetro - quase 100 vezes mais pequenas do que a sonda podia observar antes do Grande Final.
No dia 11 de setembro, um distante encontro com Titã servirá como uma versão gravitacional de uma grande "manobra pop-down", abrandando a órbita da Cassini em torno de Saturno e dobrando o seu percurso ligeiramente para enviar a nave em direção ao seu mergulho final de dia 15 de setembro.
Durante o mergulho de meia-órbita, o plano é ter sete instrumentos científicos da Cassini, incluindo o INMS, ativados e a transmitir medições quase em tempo real. Espera-se que a sonda alcance uma altitude onde a densidade atmosférica é aproximadamente o dobro da que encontrou durante as suas cinco passagens finais. Assim que a Cassini alcançar este ponto, os seus propulsores já não serão capazes de trabalhar contra o puxo da atmosfera de Saturno a fim de manter a antena apontada para a Terra, e o contacto será perdido permanentemente. A nave espacial irá fragmentar-se como um meteoro momentos depois, terminando a sua longa e gratificante viagem.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O NOVO ALVO DA SONDA NEW HORIZONS FICOU AINDA MIAS ESTRANHOS

novo alvo da sonda New Horizons
A nave espacial que visitou Plutão está indo de encontro com um objeto diferente do que os cientistas conheciam...
Desde seu histórico encontro com Plutão em julho de 2015, a sonda New Horizons tem ido ainda mais longe, rumo aos confins do Sistema Solar. Por estar em ótimas condições, e perfeitamente operante, os controladores da missão deram à nave espacial um novo destino para exploração: 2014 MU69 - um objeto do Cinturão de Kuiper (KBO).
Portanto, o próximo alvo foi escolhido e a nave partiu para sua nova exploração espacial, que segundo observações da NASA, tratava-se de um objeto esférico composto por gelo e rocha com até 45 km de diâmetro. No entanto, uma nova observação liderada pela equipe da missão concluiu que 2014 MU69 pode ser na verdade dois objetos que se orbitam numa grande proximidade, ou que já estão conectados - um binário de contato.
As observações recentes do objeto 2014 MU69 ocorreram quando ele passou na frente de uma estrela, oferecendo oportunidade aos astrônomos de medir a variação de brilho dessa estrela, e assim, entender melhor qual é o tamanho e o formato do objeto. Vários telescópios instalados na Patagonia, Argentina, foram utilizados nessas observações, que diga-se de passagem, são bastante comuns para estimar o tamanho e a posição de asteroides.
Ilustração artística de um binário de contato, o que o objeto 2014 MU69 parece ser - NASA
Ilustração artística de um binário de contato, o que o objeto 2014 MU69 parece ser - NASA
Créditos: NASA / JHUAPL / SwRI / Alex Parker
Além de obter informações sobre seu tamanho e formato, a equipe conseguiu ainda melhorar os cálculos orbitais, o que é vital para o sucesso da missão.
Baseado nas novas observações, os astrônomos concluíram que o objeto 2014 MU69 tem mais de 30 km de diâmetro, e se realmente for um binário de contato, cada uma de suas partes possui mais de 20 km de diâmetro.
"Esse novo achado é simplesmente espetacular", comenta Alan Stern, líder da missão New Horizons. "O formato de 2014 MU69 é provocativo, e pode ser outro fato inédito para a New Horizons que está indo rumo a outro objeto do Cinturão de Kuiper. Eu não poderia estar mais feliz com os resultados dessa observação, que prometem uma bonanza científica para o próximo encontro."
Ilustração artística do objeto 2014 MU69 - NASA
Ilustração artística do objeto 2014 MU69 caso ele não seja um binário de contato.
Créditos: NASA / JHUAPL / SwRI / Alex Parker
Para entender melhor o novo alvo da sonda, uma série de observações tem sido feitas na Argentina e na África do Sul. A aeronave SOFIA (Observatório Estratosférico de Astronomia no Infravermelho) também está ajudando nas observações.
SOFIA é uma aeronave com um telescópio de 2.5 metros de diâmetro acoplado, e funciona como um observatório voador. Por conta de sua altitude de voo, as observações feitas com observatórios voadores trazem resultados fantásticos, já que grande parte da atmosfera da Terra fica abaixo do ponto de vista da aeronave.
O intuito principal das observações de SOFIA é procurar por detritos e rochas espaciais que poderiam colidir com a sonda New Horizons durante sua aproximação com 2014 MU69. Os observatórios espaciais Hubble (da NASA) e Gaia (da ESA) também ajudaram a definir o momento em que a sombra do objeto 2014 MU69 iria ficar alinhada com a Terra (a ocultação que serviu para observar o objeto).
O encontro da sonda New Horizons com o objeto 2014 MU69 está programado para ocorrer em 1° de janeiro de 2019, e se tudo der certo, será o encontro mais distante da história da exploração espacial. Além de estar a 1.6 bilhões de quilômetros de Plutão, a nave estará a assustadores 6.5 bilhões de quilômetros da Terra! Além do mais, o encontro de New Horizons com esse estranho e distante objeto do Cinturão de Kuiper será como uma viagem no tempo, pois a humanidade irá conhecer um corpo do Sistema Solar que tem cerca de 4,6 bilhões de anos, e que está intacto desde sua formação.
Imagens: (capa-ilustração/NASA) / NASA / JHUAPL / SwRI / Alex Parker

domingo, 13 de agosto de 2017

IC 10: UMA GALÁXIA STARBURST COM PROSPECTIVA DE ONDAS GRAVITACIONAIS


As observações Chandra do IC 10 starburst galaxy revelam cerca de 110 fontes de raios-X.
Destes, cerca de uma dúzia são sistemas em que um buraco negro ou uma estrela de nêutrons tira o material de uma jovem e maciça estrela companheira.
Alguns desses pares podem eventualmente formar sistemas que mesclaram e emitem ondas gravitacionais.
Este novo composto contém raios X de Chandra (azul escuro) combinado com uma imagem óptica de um astrofotógrafo (vermelho, verde, azul).
Em 1887, o astrônomo americano Lewis Swift descobriu uma nuvem brilhante, ou nebulosa, que acabou por ser uma pequena galáxia, a cerca de 2,2 milhões de anos-luz da Terra. Hoje, é conhecido como o "Starburst" galaxy IC 10, referente à intensa atividade de formação de estrelas que ocorre lá.
Mais de cem anos após a descoberta de Swift, os astrônomos estão estudando IC 10 com os telescópios mais poderosos do século XXI. Novas observações com o Observatório de raios-X de Chandra da NASA revelam muitos pares de estrelas que podem tornar-se um dia o fenômeno cósmico mais emocionante observado nos últimos anos: ondas gravitacionais .
Ao analisar as observações de Chandra do IC 10 em uma década, os astrônomos encontraram mais de uma dúzia de buracos negros e estrelas de nêutrons alimentando o gás de jovens companheiros estelares maciços. Esses sistemas de estrelas duplas são conhecidos como " binários de raios-X " porque eles emitem grandes quantidades de luz de raios-X . À medida que uma estrela maciça orbita em torno de seu companheiro compacto, seja um buraco negro ou uma estrela de nêutrons, o material pode ser afastado da estrela gigante para formar um disco de material em torno do objeto compacto. As forças de fricção aquecem o material infalível a milhões de graus, produzindo uma fonte brilhante de raios-X.
Quando a estrela companheira maciça ficar sem combustível, sofrerá um colapso catastrófico que produzirá uma explosão de supernova e deixará para trás um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. O resultado final é dois objetos compactos: um par de buracos negros, um par de estrelas de nêutrons, ou um buraco negro e uma estrela de nêutrons. Se a separação entre os objetos compactos se tornar pequena o suficiente quanto o tempo passa, eles produzirão ondas gravitacionais. Ao longo do tempo, o tamanho da órbita encolherá até que eles se fundam. A LIGO encontrou três exemplos de pares de buracos negros que se fundem desta forma nos últimos dois anos.
As galáxias Starburst, como o IC 10, são excelentes lugares para pesquisar binários de raios-X, porque eles estão produzindo estrelas rapidamente. Muitas dessas estrelas recém-nascidas serão pares de estrelas jovens e maciças. O mais maciço dos dois evoluirá mais rapidamente e deixará para trás um buraco negro ou uma estrela de neutrons em parceria com a estrela muda restante. Se a separação das estrelas for pequena o suficiente, um sistema binário de raios-X será produzido.
Esta nova imagem composta de IC 10 combina dados de raios-X de Chandra (azul) com uma imagem óptica (vermelha, verde, azul) tomada pelo astrônomo amador Bill Snyder do Observatório de Espelho Heavens em Sierra Nevada, Califórnia. As fontes de raios X detectadas por Chandra aparecem como um azul mais escuro do que as estrelas detectadas na luz óptica.
As jovens estrelas do IC 10 parecem ser apenas a idade certa para dar uma quantidade máxima de interação entre as estrelas maciças e seus companheiros compactos, produzindo a maioria das fontes de raios-X. Se os sistemas fossem mais jovens, então as estrelas maciças não teriam tido tempo para supernova e produzirem uma estrela de nêutrons ou um buraco negro, ou a órbita da estrela maciça e o objeto compacto não teriam tido tempo para encolher o suficiente para transferência de massa para início. Se o sistema estelar fosse muito mais antigo, então ambos os objetos compactos provavelmente já se formariam. Neste caso, a transferência de matéria entre os objetos compactos é improvável, impedindo a formação de um disco emissor de raios-X.
Chandra detectou 110 fontes de raios X no IC 10. Destes, mais de quarenta também são vistos em luz óptica e 16 deles contêm "supergantes azuis", que são o tipo de estrelas jovens, maciças e quentes descritas anteriormente. A maioria das outras fontes são binários de raios-X contendo estrelas menos maciças. Vários dos objetos mostram uma forte variabilidade na saída de raios-X, o que indica vibrações violentas entre as estrelas compactas e seus companheiros.
Um par de documentos que descrevem esses resultados foram publicados na edição de 10 de fevereiro de 2017 do The Astrophysical Journal e estão disponíveis on-line aqui e aqui . Os autores do estudo são Silas Laycock do UMass Lowell's Center for Space Science and Technology (UML); Rigel Capallo, um estudante graduado da UML; Dimitris Christodoulou da UML; Benjamin Williams da Universidade de Washington em Seattle; Breanna Binder da Universidade Politécnica do Estado da Califórnia em Pomona; E, Andrea Prestwich, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics em Cambridge, Massachusetts.
O Centro de Vôo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, Alabama, administra o programa de Chandra para a Direcção da Missão de Ciências da NASA em Washington. O Smithsonian Astrophysical Observatory em Cambridge, Massachusetts, controla a ciência e operações de vôo de Chandra.

sábado, 12 de agosto de 2017

LINDA IMAGEM PANORÂMICA DO VLT COM A VISTA DA VIA LÁCTEA

Da Residencia à Via Láctea
Da Residencia à Via Láctea
Esta imagem mostra a estrada que vai da Residencia — a casa de hóspedes para os visitantes do Observatório do Paranal do ESO — “até” ao coração da Via Láctea, a qual cobre todo o céu.
Este local situa-se no Cerro Paranal, onde se encontra instalado o Very Large Telescope do ESO (VLT), um telescópio composto por quatro Telescópios Principais de 8,2 metros. O VLT funciona também como um interferómetro, o Interferómetro do VLT ou VLTI, ao colectar luz adicional com os quatro Telescópios Auxiliares mais pequenos, que podem ser deslocados de forma independente e colocados em diferentes configurações. Podemos ver na imagem um destes Telescópios Auxiliares, que observa os céus com a sua cúpula completamente aberta.
A estrada que vai do observatório à Residencia parece um fio brilhante tecido por entre os promontórios rochosos e as colinas da paisagem do deserto. O brilho amarelo é causado por ténues luzes de segurança — as luzes da estrada iluminam o menos possível, de modo a evitar-se poluição luminosa desnecessária.
Crédito:ESO/B. Tafreshi (twanight.org)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

UM PÁSSARO ZANGADO NO CÉU

IC 2944, nicknamed the Running Chicken Nebula
 A nova imagem do instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros revela a Nebulosa Lambda Centauri, uma nuvem de hidrogênio brilhante e estrelas recém-nascidas na constelação de Centauro. A nebulosa, também conhecida como IC 2944, é também conhecida pelo nome popular de nebulosa da Galinha Fugitiva, devido à forma de pássaro que algumas pessoas identificam na região mais brilhante.
Na nebulosa, situada a cerca de 6500 anos-luz de distância, as estrelas quentes recém-nascidas que se formaram a partir de nuvens de hidrogênio gasoso brilham intensamente no ultravioleta. Esta radiação intensa excita, por sua vez, a nuvem de hidrogênio à sua volta, fazendo com que esta nuvem brilhe em tons de vermelho. Esta cor é típica de regiões de formação estelar, sendo outro exemplo famoso a Nebulosa da Lagoa (eso0936).
Algumas pessoas pensam ver a forma de uma galinha nas imagens desta região de formação estelar avermelhada, o que dá à nebulosa o seu nome popular - embora exista algum desacordo sobre que parte da nebulosa é que tem efetivamente a forma de galinha, distinguindo-se aparentemente diferentes formas de pássaro por toda a imagem .
Para além do gás brilhante, outro sinal de formação estelar na IC 2944 consiste numa série de glóbulos negros opacos que aparecem em silhueta sob o fundo vermelho, em algumas partes da imagem. São exemplos de um tipo de objetos chamados glóbulos de Bok. Aparecem escuros porque absorvem radiação do fundo luminoso. No entanto, observações destes glóbulos escuros com telescópios infravermelhos, que observam através da poeira que normalmente bloqueia a radiação visível, revelaram estrelas se formando no interior de muitos deles.
A coleção mais proeminente de glóbulos de Bok nesta imagem é conhecida por Glóbulos de Thackeray, devido ao astrônomo sul americano que os descobriu nos anos 1950. Visíveis no seio de um grupo de estrelas brilhantes, em cima e à direita na imagem, estes glóbulos aparecem numa imagem famosa obtida com o Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA (link).
Enquanto o Hubble obtém uma imagem de uma pequena região do céu em grande detalhe, o Wide Field Imager, montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla do ESO, captura imagens muito maiores, cobrindo uma área do céu aproximadamente do tamanho da Lua Cheia. Tal como uma lente zoom que permite ao fotógrafo escolher o enquadramento mais apropriado a uma fotografia, também os diferentes campos oferecidos por diferentes telescópios permitem aos cientistas obter dados complementares no estudo de objetos astronômicos que cobrem uma extensa região do céu.
Se as estrelas que fizeram casulo nos glóbulos de Thackeray estão ainda em gestação, as estrelas do aglomerado IC 2948 embebidas no interior da nebulosa são as suas irmãs mais velhas. Ainda jovens em termos estelares, com apenas alguns milhões de anos de idade, estas estrelas brilham intensamente e a sua radiação ultravioleta fornece muita da energia que ilumina a nebulosa. Estas nebulosas brilhantes têm uma vida relativamente curta em termos astronóôicos (tipicamente alguns milhões de anos), o que significa que a Nebulosa Lambda Centauri irá eventualmente desvanecer à medida que perde gás e combustível de radiação ultravioleta.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

ARP 299: CHANDRA OBSERVA DUAS GALÁXIAS EM PROCESSO AVANÇADO DE FUSAO


Os dados de Chandra revelaram 25 fontes brilhantes de raios-X semelhantes ao ponto em Arp 299, das quais 14 são categorizadas como "ULXs".
Esses ULXs são sistemas binários prováveis ​​onde um buraco negro ou estrela de nêutrons está puxando material de uma estrela companheira.
Este é um dos maiores números de ULXs em uma galáxia no universo vizinho, causado por uma alta taxa de formação de estrelas desencadeada pela fusão.
O que aconteceria se você tirasse duas galáxias e as misturasse ao longo de milhões de anos? Uma nova imagem, incluindo dados do Observatório de raios X da Chandra da NASA, revela o resultado 
Arp 299 é um sistema localizado a cerca de 140 milhões de anos-luz da Terra. Contém duas galáxias que estão se fundindo, criando uma mistura parcialmente misturada de estrelas de cada galáxia no processo.
No entanto, esta mistura estelar não é o único ingrediente. Novos dados da Chandra revelam 25 fontes brilhantes de raios X polvilhadas em toda a mistura Arp 299. Quatorze dessas fontes são tão fortes emissores de raios-X que os astrônomos os classificam como "fontes de raios-X ultra-luminosas" ou ULXs .
Esses ULXs são encontrados embutidos em regiões onde as estrelas estão se formando atualmente em uma taxa rápida. Provavelmente, os ULXs são sistemas binários em que uma estrela de nêutrons ou um buraco negro está afastando a matéria de uma estrela companheira que é muito mais maciça do que o Sol. Esses sistemas de estrelas duplas são chamados binários de raios-X de alta massa .

Este buffet de binários de raios-X de alta massa é um dos mais ricos em uma galáxia localizada no universo vizinho, mas Arp 299 contém formação de estrelas relativamente poderosa. Isso se deve, pelo menos em parte, à fusão das duas galáxias, que desencadeou ondas de formação estelar. A formação de binários de raios-X de alta massa é uma conseqüência natural de um nascimento de estrelas tão florescente que algumas das estrelas maciças jovens, que geralmente se formam em pares, evoluem para esses sistemas.
Esta nova imagem composta de Arp 299 contém dados de raios X de dados de raios X de Chandra (rosa), de energia mais alta de NuSTAR (roxo) e dados óticos do Telescópio Espacial Hubble (branco e fraco marrom). Arp 299 também emite quantidades copiosas de luz infravermelha que foi detectada por observatórios como o telescópio espacial Spitzer da NASA, mas esses dados não estão incluídos neste compósito.
A emissão de raios-X e infravermelhos da galáxia é notavelmente semelhante à das galáxias encontradas no Universo muito distante, oferecendo a oportunidade de estudar um análogo relativamente próximo desses objetos distantes. Uma maior taxa de colisões de galáxia ocorreu quando o universo era jovem, mas esses objetos são difíceis de estudar diretamente porque estão localizados em distâncias colossais.
Os dados de Chandra também revelam a emissão difusa de raios-X a partir de gás quente distribuído por Arp 299. Os cientistas acham que a alta taxa de supernovas , outra característica comum de galáxias formadoras de estrelas, expulsou muito deste gás quente do centro do sistema.
Um artigo descrevendo esses resultados apareceu na edição de 21 de agosto de 2016 dos Avisos Mensais da Royal Astronomical Society e está disponível on-line . O principal autor do artigo é Konstantina Anastasopoulou da Universidade de Creta, na Grécia. O Centro de Vôo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, Alabama, administra o programa de Chandra para a Direcção da Missão de Ciências da NASA em Washington. O Smithsonian Astrophysical Observatory em Cambridge, Massachusetts, controla a ciência e operações de vôo de Chandra.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

DESCUBRA O AGLOMERADO

Descubra o aglomerado
Esta imagem, obtida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, mostra o céu estrelado em torno do aglomerado de galáxias PLCKESZ G296.6-31.3.
O aglomerado propriamente dito é inicialmente difícil de localizar, aparecendo como um conjunto sutil de galáxias amareladas próximo do centro da imagem.
PLCKESZ G296.6-31.3 é composto por cerca de 1000 galáxias, enormes quantidades de gás quente e matéria escura. É por isso que o aglomerado tem uma massa total de 530 trilhões de vezes a massa do Sol!
Quando observamos PLCKESZ G296.6-31.3 a partir da Terra,o vemos através da periferia da Grande Nuvem de Magalhães — uma das galáxias satélite da Via Láctea. A Grande Nuvem de Magalhães abriga mais de 700 aglomerados estelares, além de centenas a milhares de estrelas gigantes e supergigantes. É por isso que a maioria dos objetos cósmicos capturados nesta imagem são estrelas e aglomerados estelares que se encontram no interior da Grande Nuvem de Magalhães.
O telescópio MPG/ESO de 2,2 metros encontra-se em operação no Observatório de La Silla do ESO desde 1984. Este telescópio tem sido utilizado numa variedade de estudos científicos de vanguarda, incluindo pesquisas pioneiras na área das explosões de raios gama, as explosões mais potentes do Universo. O instrumento Wide Field Imager (WFI) de 67 milhões de pixels — montado no foco Cassegrain do telescópio — tem obtido imagens detalhadas de objetos fracos e distantes desde 1999.
Os dados utilizados para compor esta imagem foram selecionados a partir do arquivo do ESO, no âmbito do concurso Tesouros Escondidos.

Crédito:
ESO

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A GRANDE MANCHA VERMELHA DE JÚPITER EM CORES REAIS

É assim que você veria a Grande Mancha Vermelha de Júpiter
Grande Mancha Vermelha de Júpiter em cores reais
Já imaginou se você pudesse estar exatamente onde a sonda Juno estava durante um de seus sobrevoos em Júpiter?
Se você estivesse a bordo da sonda Juno da NASA quando ela fez seu sobrevoo na famosa Grande Mancha Vermelha de Júpiter, era exatamente isso que você teria visto.
Uma foto recém lançada nos mostra uma visão deslumbrante que a sonda Juno teve no dia 10 de julho de 2017, quando ela realizou uma grande aproximação com a tempestade gigantesca, a uma altitude de menos de 14.000 quilômetros.
"Esta imagem de cores reais nos oferece uma interpretação de como a Grande Mancha Vermelha e suas áreas vizinhas seriam vistas pelos humanos se estivéssemos na mesma posição de Juno", disse a NASA em um comunicado oficial. "As zonas atmosféricas tumultuadas dentro e ao redor da Grande Mancha Vermelha são claramente visíveis".
Júpiter - Grande Mancha Vermelha - cores reais - Björn Jónsson
Foto registrada pela sonda Juno e processada por Björn Jónsson.
Créditos: NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS / Björn Jónsson
A imagem foi criada pelo "cientista cidadão" Björn Jónsson usando dados coletados pela JunoCam, uma câmera acoplada na sonda Juno. A NASA incentiva qualquer pessoa a processar suas imagens brutas.
A missão Juno de $ 1,1 bilhão de dólares foi lançada em agosto de 2011, e chegou em Júpiter no dia 4 de julho de 2016.
A sonda está fazendo diversos sobrevoos no maior planeta do Sistema Solar através de uma órbita altamente elíptica, fazendo grandes aproximações com o planeta a cada 53,5 dias.
Ilustração da sonda Juno sobrevoando Júpiter
Ilustração artística da sonda Juno sobrevoando Júpiter.
Créditos: NASA / divulgação
A sonda Juno está estudando a composição de Júpiter e sua estrutura interior, com o objetivo de ajudar os cientistas a entender melhor a formação e a evolução do gigante de gás. A maior parte dos dados são recolhidos durante as máximas aproximações. Infelizmente, a missão Juno tem um prazo de duração, e está programada para funcionar até pelo menos fevereiro de 2018.
A Grande Mancha Vermelha tem estado ativa há séculos. Essa tempestade gigantesca tem cerca de 16.000 quilômetros de diâmetro, ou seja, ela é muito maior do que o nosso planeta. Tá achando muito grande? Pois fique sabendo que no passado recente ela costumava ser ainda maior!
Já faz algum tempo que a Grande Mancha Vermelha vem encolhendo, mas as razões ainda são desconhecidas... portanto, esse é um dos assuntos que os cientistas gostariam de entender melhor. Espera-se que os dados captados pela missão Juno forneçam informações suficientes para anos de pesquisas, e quem sabe, possam ajudar a desvendar alguns dos maiores segredos do maior planeta do Sistema Solar.
Imagens: (capa-NASA) / NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS / Björn Jónsson

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A HISTÓRIA DE TRÊS CIDADES ESTELARES



A partir de nova observações obtidas com o Telescópio de Rastreio do VLT do ESO, astrônomos descobriram três populações distintas de estrelas bebês no Aglomerado da Nebulosa de Orion. 
Esta descoberta inesperada ajuda a compreender melhor como é que se formam este tipo de aglomerados, sugerindo que a formação estelar pode acontecer em surtos, onde cada um ocorre numa escala de tempo muito mais rápida do que se pensava anteriormente.
A OmegaCAM — a câmera de grande angular óptica montada no Telescópio de Rastreio do VLT do ESO (VST) — capturou de forma detalhada a Nebulosa de Orion e o seu aglomerado associado de estrelas jovens, dando origem a esta imagem. Este objeto é uma das maternidades estelares mais próximas de nós, onde nascem tanto estrelas de grande como de pequena massa, situada a cerca de 1350 anos-luz de distância.
Esta imagem é mais do que apenas uma fotografia bonita. Uma equipe de astrônomos, liderada pelo astrônomo do ESO Giacomo Beccari, usou estes dados de qualidade sem precedentes para medir de forma precisa o brilho e as cores de todas as estrelas do aglomerado da Nebulosa de Orion. Estas medições permitiram aos astrônomos determinar a massa e idade das estrelas. Surpreendentemente, os dados revelaram três sequências de potenciais idades diferentes.
“Ao analisar pela primeira vez os dados, ficamos bastante surpreendidos,” disse Beccari, o autor principal do artigo científico que apresenta estes resultados. “A excelente qualidade das imagens OmegaCAM revelou sem sombra de dúvidas que estamos a observar três populações estelares distintas nas regiões centrais de Orion.”
Monika Petr-Gotzens, co-autora do artigo, e que também trabalha no ESO em Garching, explicou, “Este resultado é extremamente significativo. O que estamos vendo é que, neste aglomerado, as estrelas na fase inicial das suas vidas não se formaram todas em simultâneo, o que quer dizer que o nosso conhecimento relativa à formação de estrelas em aglomerados pode ter que ser modificado.”
Os astrônomos investigaram cuidadosamente a possibilidade dos diferentes brilhos e cores de algumas das estrelas terem origem em estrelas companheiras escondidas, em vez de indicarem idades diferentes, o que faria com que as estrelas parecessem mais brilhantes e vermelhas do que o são na realidade. No entanto, esta explicação implicaria a existência de propriedades bastante diferentes desses pares, propriedades que nunca foram observadas anteriormente. Outras medições das estrelas, tais como velocidades de rotação e espectros, apontam também para que as suas idades sejam diferentes .
“Embora não possamos ainda refutar formalmente a possibilidade destas estrelas serem binárias, parece muito mais natural aceitar que estamos observando três gerações de estrelas que se formaram em sucessão durante um intervalo de tempo de cerca de 3 milhões de anos,” concluiu Beccari.
Os novos resultados sugerem fortemente que a formação estelar no aglomerado da Nebulosa de Orion ocorre em surtos e mais rapidamente do que se pensava anteriormente.