sábado, 21 de outubro de 2017

VIDA SUB AQUÁTICA EM GANIMEDES; É CONFIRMADO O MAIOR OCEANO DO SISTEMA SOLAR

vida em ganimedes? o maior oceano do Sistema Solar
"Acredita-se que o oceano de Ganimedes contenha mais água do que o de Europa", disse Olivier Witasse, cientista e projetista da futura missão JUICE, da Agência Espacial Europeia (ESA). "Seis vezes mais água no oceano de Ganimedes do que no oceano da Terra, e três vezes mais do que em Europa".
Em março de 2016, o Telescópio Espacial Hubble da NASA revelou as melhores evidências de um oceano subterrâneo de água salgada em Ganimedes, a maior lua de Júpiter, que por sua vez, é maior do que Mercúrio e não muito menor do que Marte.
Identificar a água líquida é crucial na busca de mundos habitáveis ​​além da Terra, e consequentemente, pela busca da vida como a conhecemos.
"Esta descoberta é um marco significativo, destacando o que apenas o Hubble consegue fazer", disse John Grunsfeld, administrador assistente da Direção de Missão de Ciência da NASA. "Nos seus 25 anos em órbita, o Hubble fez muitas descobertas científicas em nosso Sistema Solar. Um oceano profundo abaixo da crosta gelada de Ganimedes abre novas possibilidades empolgantes para a vida além da Terra".
Ilustração mostra camadas internas de Ganimedes
Ilustração mostra camadas internas de Ganimedes
Créditos: NASA / ESA         /         Adaptação e Tradução: Galeria do Meteorito
Ganimedes é a maior lua do nosso Sistema Solar e a única que possui seu próprio campo magnético, responsável pela criação de auroras polares (que são faixas de gás eletrificado incandescente e quente que circundam os polos da lua). Por estar muito próximo de Júpiter, Ganimedes também sofre os efeitos de seu potente campo magnético. Ou seja, quando o campo magnético de Júpiter muda, as auroras em Ganimedes também mudam, "balançando" para frente e para trás.
Ganimedes é eclipsado pela lua Europa, que também possui um oceano subterrâneo e será estudada de perto pela missão Europa Clipper em meados de 2020.
Missão a Lua Europa
Missão a Lua Europa
Ilustração artística de um orbitador em Europa, que possivelmente será enviado em meados de 2020.
Créditos: NASA / JPL-Caltech
As auroras que ocorrem em Ganimedes, detectadas pelo Hubble, revelam oscilações no campo magnético da lua, que são explicadas pelo calor interno causado pela maré de um oceano a centenas de quilômetros abaixo da superfície.
A missão JUICE irá sobrevoar algumas luas geladas a distâncias entre 1000 e 200 quilômetros, e irá orbitar Ganimedes por nove meses.
O orbitador conseguirá distinguir o que é gelo é o que é material rochoso, permitindo a detecção de reservatórios enterrados. "Ver o subsolo dessas luas com o radar será como uma viagem no tempo, o que irá ajudar a determinar a evolução geológica desses mundos enigmáticos", disse Olivier Witasse.
No caminho, a nave espacial fará vários sobrevoos em outra lua que também deve ter um oceano subterrâneo: Calisto. "Nós pensamos que Calisto também abriga um oceano subterrâneo, mas os dados disponíveis não estão claros", disse Olivier Witasse. "O que esperamos fazer é verificar se há um oceano ou não, e se sim, qual sua profundidade".
A agência espacial russa (Roscosmos) está estudando o envio de um pousador que aterrissaria em Ganimedes, e que seria enviado junto com JUICE. Essa missão, chamada Laplace-P, buscaria, sobretudo, indícios de vida em Ganimedes.
Primeiramente, a humanidade se surpreendeu com a exploração lunar e marciana... em seguida, asteroide e cometas foram visitados... agora chegou a vez dos satélites naturais do Sistema Solar, que diga-se de passagem, são (provavelmente) os objetos mais promissores de todo o nosso sistema.
Imagens: (capa-ilustração/DeviantArt/Justtv23) / NASA / ESA / Galeria do Meteorito

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

JAMES WEBB BUSCARÁ SINAIS DE VIDA EXTRATERRESTRE NO SISTEMA SOLAR

james webb buscará sinais de vida extraterrestre no sistema solar
Conheça as duas luas escolhidas para serem observadas pelo poderoso telescópio espacial!
O telescópio espacial James Webb, que será lançado em breve, dará uma grande atenção para dois dos principais candidatos para hospedar vida extraterrestre no Sistema Solar: Encélado e Europa, informou a NASA.
Acredita-se que tanto Europa (lua de Júpiter) quanto Encélado (lua de Saturno) possuem oceanos subterrâneos de água líquida, logo abaixo das espessas camadas de gelo. Ambas apresentam gêiseres que liberam jatos líquidos na atmosfera desses mundos, o que poderiam também fornecer uma fonte de calor e nutrientes para algumas formas de vida, segundo os cientistas.
"Nós escolhemos essas duas luas por causa do potencial para exibir assinaturas químicas de interesse astrobiológico", disse Heidi Hammel, vice-presidente executiva da Associação de Universidades de Pesquisa em Astronomia (AURA), que está liderando os esforços para usar o telescópio em estudos de objetos do Sistema Solar.
O telescópio espacial James Webb, apelidado de "Webb", irá capturar a luz infravermelha, que pode ser usada para identificar calor. Os olhos humanos não conseguem enxergar esse nível de onda. Os pesquisadores esperam que Webb possa ajudar a identificar as regiões nas superfícies dessas luas onde a atividade geológica, como a erupção de plumas, está ocorrendo.
As plumas de Encélado foram estudadas em detalhes pela sonda Cassini. A nave espacial descobriu centenas de plumas e até sobrevoou através de algumas delas, testando sua composição. As plumas de Europa foram vistas pelo Telescópio Espacial Hubble, e os pesquisadores a conhecem muito pouco.
Ilustração da parte interna de Encélado mostrando o oceano de água líquida global entre sua crosta e seu núcleo
Ilustração da parte interna de Encélado mostrando o oceano de água líquida global entre sua crosta e seu núcleo. Créditos: NASA / JPL-Caltech         Edição: Richard Cardial
"Elas são feitas de água gelada? O vapor de água quente está sendo liberado? Qual é a temperatura das regiões ativas e da água ejetada?" Questiona Geronimo Villanueva, cientista principal da futura missão de Webb nas observações de Europa e Encélado. "As observações do telescópio Webb nos permitirão abordar essas questões com precisão, e precisão sem precedentes."
As observações de Webb ajudarão a abrir caminho para a missão Europa Clipper, uma missão orbital de 2 bilhões de dólares, que terá como destino a lua gelada de Júpiter. Programada para ser lançada em meados de 2020, a Europa Clipper buscará sinais de vida em Europa. As observações com o telescópio Webb podem identificar áreas de interesse para a missão Europa Clipper.
Hubble e James Webb - comparação
Comparação entre os telescópios espaciais Hubble (esquerda) e James Webb (direita).
Créditos: NASA / divulgação
Os cientistas não sabem com que frequência esses gêiseres ocorrem, e o tempo limitado de observação com Webb pode não coincidir com um deles. O telescópio pode detectar elementos orgânicos, como carbono, que são essenciais para a formação da vida como a conhecemos. No entanto, Villanueva advertiu que Webb não tem o poder de detectar diretamente formas de vida nas plumas, mas sim suas evidências.
O telescópio James Webb está programado para ser lançado em 2018, e orbitará o Sol no ponto de Lagrange L2, que fica a cerca de 1,7 milhões de km mais longe do Sol do que a Terra. O telescópio proporcionará observações de alta resolução tanto do Universo distante quando do nosso próprio Sistema Solar. Cientistas de todo o mundo estão enviando sugestões de objetos que deveriam ser observados pelo poderoso James Webb, e graças a isso, Europa e Encélado são dois que já estão com suas observações garantidas!
Imagens: (capa-ilustração/divulgação) / NASA / JPL-Caltech / Richard Cardial / divulgação

terça-feira, 17 de outubro de 2017

ENCONTRADO UM OBJETO ÚNICO NO CINTURÃO DE ASTEROIDES

288P - objeto único no Cinturão de Asteroides
288P - objeto único no Cinturão de Asteroides 
Mesmo após quase 30 anos de serviço, o Hubble continua realizando descobertas intrigantes, dentro e fora do nosso Sistema Solar!
Recentemente, uma equipe internacional de astrônomos, liderada pelo Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, descobriu um objeto único no Cinturão de Asteroides - um asteroide binário conhecido como 288P - que também se comporta como um cometa. De acordo com a equipe, esse asteroide binário sublima à medida que se aproxima do Sol, criando caudas semelhantes a dos cometas.
O estudo (publicado na revista Nature) só foi possível graças ao Telescópio Espacial Hubble e sua versatilidade na observação do espaço. A equipe foi liderada por Jessica Agarwal, do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, e incluiu membros do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial, do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (JHUAPL) e da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.
Usando o telescópio Hubble, a equipe observou primeiramente o objeto 288P em setembro de 2016 durante sua máxima aproximação com a Terra. As imagens revelaram que esse objeto não era um único asteroide, mas sim dois, de tamanho e massa semelhantes que se orbitam a uma distância de cerca de 100 km. Além disso, a equipe também notou uma atividade contínua e inesperada no sistema binário.
Como Jessica Agarwal explicou em uma declaração de imprensa, isso faz de 288P o primeiro asteroide binário conhecido que também é classificado como um cometa. "Detectamos fortes indícios da sublimação de gelo de água devido ao aumento do aquecimento solar - semelhante à forma como a cauda de uma cometa é criada", disse ela. Além de ser uma surpresa agradável, essas descobertas também são muito significativas para o estudo do Sistema Solar.
Uma vez que apenas alguns objetos deste tipo são conhecidos, 288P é um alvo extremamente importante para futuros estudos de asteroides. Ele é único! Outros asteroides binários que foram observados eram diferentes em tamanho e massa, tinham órbitas menos excêntricas e não formavam caudas semelhantes a de cometas.
A equipe concluiu que 288P já existe como um sistema binário há pelo menos 5.000 anos e deve ter acumulado gelo logo nos primórdios do Sistema Solar. "O cenário de formação mais provável de 288P é uma separação devido à rotação rápida. Depois disso, os dois fragmentos podem ter sido separados ainda mais por conta da sublimação", disse Jessica Agarwal.
A equipe do Hubble e a ESA criaram um vídeo ilustrativo revelando as características de asteroide e de cometa do objeto 288P. Quando nos distanciamos dele, por exemplo, fica evidente sua sublimação, ou seja, sua aparência de cometa:
Por ser tão diferente de outros asteroides binários, os cientistas são forçados a se perguntar se suas propriedades únicas são meras coincidências. Por ter sido encontrado por acaso, é possível que outros binários semelhantes sejam encontrados em breve.
"Precisamos de mais trabalhos teóricos e observacionais, bem como mais objetos semelhantes ao 288P, para encontrar uma resposta a esta questão", disse Jessica Agarwal. "Enquanto isso, este asteroide binário exclusivo assegura aos astrônomos muitas oportunidades interessantes para estudar a origem e a evolução dos asteroides em órbita entre Marte e Júpiter."
Estudar e compreender asteroides que se comportam como cometas é crucial para a compreensão de como o Sistema Solar se formou, e como ocorre sua evolução. Estudar a população do Cinturão Principal também nos ajuda a entender como os planetas se formaram há bilhões de anos e como a água foi distribuída pelo Sistema Solar. Com isso, teremos uma dica de como e onde a vida começou a surgir na Terra, ou até mesmo em outros mundos...
Imagens: (capa-ilustração/Hubble/ESA) / Hubble / ESA / divulgação

domingo, 15 de outubro de 2017

V745 Sco: DUAS ESTRELAS TRES DIMENSÕES E MUITA ENERGIA


Um novo modelo 3D de uma explosão do sistema V745 Sco ajuda os astrônomos a aprender mais sobre esse sistema volátil.
V745 Sco é um sistema binário onde um gigante vermelho e uma estrela anã branca estão em uma órbita muito próxima uma em torno da outra.
As intensas forças gravitacionais da anã branca puxam as camadas externas do anão vermelho para a superfície da estrela menor, provocando explosões.
Os astrônomos observaram o V745 Sco cerca de duas semanas após a explosão mais recente em 2014 com a Chandra, permitindo que eles gerassem este novo modelo 3D.
Durante décadas, os astrônomos sabem sobre explosões irregulares do sistema de estrelas duplas V745 Sco, que está localizado a cerca de 25 mil anos-luz da Terra. Os astrônomos foram surpreendidos quando as explosões anteriores deste sistema foram vistas em 1937 e 1989. Quando o sistema entrou em erupção em 6 de fevereiro de 2014, os cientistas estavam prontos para observar o evento com um conjunto de telescópios, incluindo o Observatório de raios-X Chandra da NASA .
V745 Sco é um sistema de estrela binária que consiste em uma estrela gigante vermelha e uma anã branca trancada pela gravidade. Esses dois objetos estelares orbitam tão próximos um do outro que as camadas externas do gigante vermelho são afastadas pela intensa força gravitacional da anã branca. Este material gradualmente cai na superfície da anã branca. Ao longo do tempo, material suficiente pode se acumular na anã branca para desencadear uma explosão termonuclear colossal, causando um dramático brilho do binário chamado nova . Os astrônomos viram a V745 Sco desaparecer por um fator de mil luz óptica ao longo de cerca de 9 dias.
Os astrônomos observaram o V745 Sco com Chandra um pouco mais de duas semanas após a explosão de 2014. A sua principal descoberta foi que a maioria do material ejetado pela explosão estava se movendo em nossa direção. Para explicar isso, uma equipe de cientistas do INAF-Osservatorio Astronomico de Palermo, da Universidade de Palermo e do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics construiu um modelo de computador tridimensional (3D) da explosão e ajustou o modelo até ele explicou as observações. Neste modelo, eles incluíam um grande disco de gás frio em torno do equador do binário causado pela anã branca puxando um vento de gás que circulava longe do gigante vermelho.
Os cálculos do computador mostraram que a onda de explosão da nova explosão e o material ejetado provavelmente foram concentrados ao longo dos pólos norte e sul do sistema binário. Esta forma foi causada pela onda de explosão que bateu no disco de gás fresco ao redor do binário. Essa interação fez com que a onda de explosão e o material ejetado diminuíssem ao longo da direção desse disco e produziriam um anel em expansão de gás emissor de raios-X quente. Os raios-X do material que se afastava de nós foram principalmente absorvidos e bloqueados pelo material se movendo em direção à Terra, explicando por que parecia que a maioria do material estava se movendo em nossa direção.
Na figura (foto acima) mostrando o novo modelo 3D da explosão, a onda de explosão é amarela, a massa ejetada pela explosão é roxa e o disco do material mais frio, que é principalmente intocado pelos efeitos da onda explosiva, é azul. A cavidade visível no lado esquerdo do material ejetado (veja a versão rotulada) é o resultado da destruição da superfície da anã branca sendo mais lenta quando atinge o gigante vermelho. Abaixo está uma imagem óptica do Siding Springs Observatory na Austrália.
Óptico
Óptico
Uma quantidade extraordinária de energia foi liberada durante a explosão, equivalente a cerca de 10 milhões de trilhões de bombas de hidrogênio. Os autores estimam que o material que pesava cerca de um décimo da massa da Terra foi ejetado.
Enquanto esse ermo de tamanho estelar era impressionante, a quantidade de massa expulsada ainda era muito menor do que a quantidade que os cientistas calculam é necessária para desencadear a explosão. Isso significa que, apesar das explosões recorrentes, uma quantidade substancial de material está acumulando na superfície da anã branca. Se material suficiente acumulado, a anã branca pode sofrer uma explosão termonuclear e ser completamente destruída. Os astrônomos usam essas chamadas supernovas tipo Ia como marcadores de distância cósmicos para medir a expansão do Universo.
Os cientistas também conseguiram determinar a composição química do material expulso pela nova. A análise desses dados implica que a anã branca é composta principalmente por carbono e oxigênio.
Também foi criada uma impressão 3D do modelo (foto abaixo). Esta impressão em 3D foi simplificada e impressa em duas partes, a onda de explosão (mostrada aqui em cinza) e o material ejetado (mostrado aqui em amarelo).
V745
V745
Um artigo descrevendo esses resultados foi publicado nos Avisos Mensais da Royal Astronomical Society e está disponível on-line .
Os autores são Salvatore Orlando do INAF-Osservatorio Astronomico de Palermo na Itália, Jeremy Drake do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics em Cambridge, MA e Marco Miceli da Universidade de Palermo.
O Centro de Vôos Espaciais Marshall da Nasa em Huntsville, Alabama, administra o programa de Chandra para a Direcção da Missão de Ciências da NASA em Washington. O Smithsonian Astrophysical Observatory em Cambridge, Massachusetts, controla a ciência e operações de vôo de Chandra.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

OBSERVATÓRIO ESPACIAL INDIANO DIVULGA FOTO DE AGLOMERADO DE ESTRELAS EM GALÁXIA IRREGULAR


A imagem foi adquirida pelo Astrosat, que é o primeiro observatório espacial indiano que foi lançado dois anos atrás. WLM, que está localizada a cerca de 3 milhões de anos-luz de distância da Terra.
Os cientistas do Instituto Indiano de Astrofísica participaram desse registro que mostra o aglomerado de estrelas com as estrelas coloridas em azul e em amarelo de acordo com suas características.
O cientista Annapurni Subramaniam do Instituto Indiano de Astrofísica, em Bengaluru e sua estudante Chayan Mondal, usaram o telescópio de imageamento ultravioleta a bordo do Astrosat para fazer a imagem do aglomerado de estrelas mais jovem da WLM.
Eles querem estudar e entender como essa pequena galáxia consegue formar novas estrelas de forma tão eficiente, apesar de ter pouca massa, ela é milhares de vezes menos massiva que a Via Láctea, e pouca metalicidade.
De forma impressionante a galáxia forma estrelas numa taxa 12 vezes maior que a Via Láctea. Os astrônomos ainda não possuem um modelo que explique de forma definitiva como a WLM faz isso.
Os astrônomos do Instituto Indiano de Astrofísica estão analisando os dados que eles coletaram atrás dessas respostas.
O telescópio do observatório espacial que trabalha com múltiplos comprimentos de onda que foi lançado em Setembro de 2015, registrou a imagem do aglomerado de estrelas da galáxia que fica na constelação de Cetus.
O observatório espacial indiano tem cinco instrumentos a bordo – o Telescópio de Imageamento no Ultra Violeta, o Telescópio de Raios-X Soft, o Contador Proporcional de Raios-X de Grande Área, o Imageador de Cádmio-Zinco-Telúrio e o Monitor de Escaneamento do Céu.
Para quem quiser seguir os avanços do AstroSat, a comunidade de cientistas que trabalha com o telescópio espacial irá manter a chamada AstroSat Picture of The Month, como uma forma de divulgar o trabalho. Acesse aqui:

Fonte:
http://timesofindia.indiatimes.com/home/science

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O ÚLTIMO RETRATO DE CORPO INTEIRO DE SATURNO FEITO PELA SONDA CASSINI


Como a sonda Cassini deveria se despedir de Saturno? Três dias antes de mergulhar em Saturno, a sonda Cassini passou pelo lado noturno de Satruno com suas câmeras bem ligadas e fazendo imagens maravilhosas. 
Trinta e seis dessas imagens foram então integradas para formar esse belo mosaico, que foi processado por um cientista cidadão e então mostra o último retrato completo de Saturno feito pela sonda nos seus 13 anos de trabalho no planeta. O Sol está acima do frame, fazendo com que Saturno gere uma sombra escura nos seus enormes anéis. Essa posição da sombra não pode ser imageada da Terra, e não será nunca vista até que uma sonda lançada da Terra passe ou entre em órbita de Saturno. Os dados e as imagens obtidas pela sonda Cassini durante o seu mergulho em Saturno em 15 de Setembro de 2017 continuam sendo estudados e analisados.
Fonte:
https://apod.nasa.gov/apod/ap170926.html

terça-feira, 10 de outubro de 2017

SONDA OSIRIS-REX FAZ IMAGEM DO SISTEMA TERRA-LUA DURANTE A ASSISTÊNCIA GRAVITACIONAl


A primeira imagem feita pela sonda OSIRIS-REx da NASA depois de completar sua manobra de assistência gravitacional pela Terra, em 22 de Setembro, mostra toda a grandiosidade do nosso planeta. 
A imagem foi feita no dia 22 de Setembro de 2017 a uma distância de 110 mil km de distância da Terra. A imagem foi rotacionada da imagem original para manter o polo norte na parte superior da imagem. A região de Baja Califórnia pode ser vista acima e a direita do centro da imagem. As nuvens cobrindo o Oceano Pacífico dominam essa imagem, mas o Furacão Maria e a parte restante do Furacão Jose, podem ser vistos na parte extrema direita da imagem. Essa imagem foi adquirida pela NavCam 1, um imageador preto e branco que é uma das 3 câmeras que fazem parte do TAGCAMS, que por sua vez, é parte do sistema de guiagem, navegação e controle da sonda OSIRIS-REx. As imagens da NavCam serão usadas para rastrear o campo de estrelas e feições na superfície do asteroide Bennu para determinar a posição da sonda durante as operações.
Essa outra imagem em preto e branco mostra o sistema Terra-Lua e foi feita no dia 25 de Setembro de 2017 pela NavCam 1 também. Essa imagem foi feita a cerca de 1297000 quilômetros da Terra e 1185000 quilômetros da Lua e mostra a separação de 401200 quilômetros dos dois objetos no momento da imagem. Essa imagem fez parte do conjunto de imagens feitas pela sonda OSIRIS-REx, durante a sua manobra de assistência gravitacional realizada pelo planeta Terra no dia 22 de Setembro de 2017.
Fonte:
https://www.nasa.gov/feature/goddard/2017/osiris-rex-snaps-pictures-of-earth-and-the-moon

sábado, 7 de outubro de 2017

MUNDO INFERNAL COM CÉU DE TITANIO


O VLT do ESO faz a primeira detecção de óxido de titânio num exoplaneta
Astrônomos usaram o Very Large Telescope do ESO para detectar pela primeira vez óxido de titânio na atmosfera de um exoplaneta. Esta descoberta feita em torno do planeta do tipo Júpiter quente chamado WASP-19b fez uso do poder do instrumento FORS2, tendo-nos fornecido informações únicas sobre a composição química e a estrutura de temperatura e pressão na atmosfera deste mundo quente e incomum. Os resultados foram publicados hoje na revista Nature.
Uma equipe de astrônomos liderada por Elyar Sedaghati, um bolsista do ESO recentemente graduado pela TU Berlim, examinou a atmosfera do exoplaneta WASP-19b com o maior detalhe conseguido até hoje. Este planeta notável tem aproximadamente a mesma massa de Júpiter, mas encontra-se tão perto da sua estrela hospedeira que completa uma órbita em apenas 19 horas. Estima-se que a sua atmosfera tenha uma temperatura de cerca de 2000 graus Celsius.
Quando WASP-19b passa em frente da sua estrela hospedeira, parte da luz estelar atravessa a atmosfera do planeta, deixando assinaturas sutis na luz que chega eventualmente à Terra. Ao usar o instrumento FORS2 montado no Very Large Telescope, a equipe conseguiu analisar cuidadosamente esta luz e deduzir que a atmosfera contém pequenas quantidades de óxido de titânio, água e vestígios de sódio, além de uma forte neblina global de dispersão.
“A detecção de tais moléculas não é fácil,” explica Elyar Sedaghati, que passou dois anos como estudante do ESO trabalhando neste projeto. “Além de dados de qualidade excepcional, precisamos ainda realizar uma análise muito sofisticada. Usamos um algoritmo que explora muitos milhões de espectros, que cobrem uma grande variedade de composições químicas, temperaturas e propriedades de nuvens ou neblinas, de modo a tirar as nossas conclusões.”
O óxido de titânio é raramente visto na Terra. Sabe-se que existe em atmosferas de estrelas frias. Nas atmosferas de planetas quentes como WASP-19b, esta molécula atua como um absorvedor de calor. Se estiverem presentes em grandes quantidades, estas moléculas impedem o calor de entrar ou escapar da atmosfera, levando a uma inversão térmica — a temperatura apresenta-se mais elevada na atmosfera superior e mais baixa na inferior, ou seja, o contrário do que acontece numa situação normal. O ozônio desempenha um papel semelhante na atmosfera terrestre, causando uma inversão na estratosfera.
“A presença de óxido de titânio na atmosfera de WASP-19b tem efeitos substanciais na estrutura da temperatura atmosférica e na circulação,” explica Ryan MacDonald, outro membro da equipe e astrônomo da Universidade de Cambridge, Reino Unido. ”Conseguir estudar exoplanetas com este nível de detalhe é muito promissor e excitante.”
Os astrônomos coletaram observações de WASP-19b durante um período de mais de um ano. Ao medir as variações relativas do raio do planeta em diferentes comprimentos de onda da luz que passa através da atmosfera do exoplaneta e comparando-as aos modelos atmosféricos, os pesquisadores puderam extrapolar diferentes propriedades, tais como o conteúdo químico da atmosfera do exoplaneta.
Esta nova informação sobre a presença de óxidos de metal, tais como o óxido de titânio e outras substâncias, permitirá uma modelagem muito melhor das atmosferas de exoplanetas. Olhando para o futuro, quando os astrônomos conseguirem observar atmosferas de planetas possivelmente habitáveis, estes modelos melhorados darão uma ideia muito melhor de como interpretar tais observações.
“Esta importante descoberta é o resultado de uma renovação do instrumento FORS2, feita exatamente para este efeito,” acrescenta o membro da equipe Henri Boffin do ESO, que liderou o projeto de renovação. “Desde essa altura, o FORS2 tornou-se o melhor instrumento para realizar este tipo de estudos a partir do solo.”

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

RAIOS-X REVELAM O TEMPERAMENTO DAS POSSÍVEIS ESTRELAS EM RELAÇÃO A HOSPEDGEM DA VIDA


Os raios-X podem fornecer informações valiosas sobre se um sistema estelar será hospitaleiro na vida em planetas.
Atividade magnética do espelho estelar dos raios-X, que pode produzir radiações e erupções energéticas que podem afetar os planetas circundantes.
Os pesquisadores usaram Chandra e XMM-Newton para estudar 24 estrelas como o Sol que tinha pelo menos um bilhão de anos.
O último estudo indica que as estrelas mais antigas do sol se acalmaram relativamente rapidamente, aumentando as perspectivas de vida a desenvolver em planetas em torno deles.
Um novo estudo usando dados do Observatório de Raio-X de Chandra da NASA e XMM-Newton da ESA sugere que os raios X emitidos pela estrela hospedeira de um planeta podem fornecer pistas críticas para o quão hospitaleiro um sistema estelar poderia ser. Uma equipe de pesquisadores olhou para 24 estrelas semelhantes ao Sol, cada um com pelo menos um bilhão de anos, e como seu brilho de raios X mudou ao longo do tempo.
Uma vez que a atividade magnética espelhada dos raios-X reflete, as observações de raios X podem dizer aos astrônomos sobre o ambiente de alta energia ao redor da estrela. No novo estudo, os dados de raios-X de Chandra e XMM-Newton revelaram que estrelas como o Sol e seus primos menos maciços se acalmam surpreendentemente rapidamente após uma turbulenta juventude.
A ilustração desse artista descreve uma dessas estrelas relativamente semelhantes, parecidas com o sol, com um planeta em órbita ao redor. A grande área escura é um "furo coronal", um fenômeno associado a baixos níveis de atividade magnética. A caixa de inserção mostra os dados de Chandra de um dos objetos observados, uma estrela de dois bilhões de anos chamada GJ 176, localizada a 30 anos-luz da Terra.
Para entender quão rápido o nível de atividade magnética estelar muda ao longo do tempo, os astrônomos precisam de idades precisas para muitas estrelas diferentes. Esta é uma tarefa difícil, mas novas estimativas de idade precisas recentemente se tornaram disponíveis a partir de estudos da forma como uma estrela pulsa usando as missões da CoRoT da Kepler e da ESA da NASA. Estas novas estimativas de idade foram utilizadas para a maioria das 24 estrelas estudadas aqui.
Os astrônomos observaram que a maioria das estrelas são muito magneticamente ativas quando são jovens , já que as estrelas estão girando rapidamente. À medida que a estrela rotativa perde energia ao longo do tempo, a estrela gira mais devagar e o nível de atividade magnética, juntamente com a emissão de raios-X associada, cai.
Embora não seja certo por que as estrelas mais antigas se estabelecem relativamente rapidamente, os astrônomos têm idéias que estão explorando. Uma possibilidade é que a diminuição da taxa de rotação das estrelas mais antigas ocorre mais rapidamente do que para as estrelas mais jovens. Outra possibilidade é que o brilho do raio-X declina mais rapidamente com o tempo para as estrelas mais velhas e mais lentas do que as estrelas mais novas.
Um documento descrevendo esses resultados foi aceito para publicação nos Avisos Mensais da Royal Astronomical Society, e está disponível on-line . Os outros co-autores são Victor Silva Aguirre da Universidade de Aarhus na Dinamarca e Scott Wolk da CfA.
O Centro de Vôos Espaciais Marshall da NASA em Huntsville, Alabama, administra o programa de Chandra para a Direcção da Missão de Ciências da NASA em Washington. O Smithsonian Astrophysical Observatory em Cambridge, Massachusetts, controla a ciência e operações de vôo de Chandra.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

ALMA DESCOBRE RESERVATÓRIOS DE GÁS FRIO ESCONDIDOS EM GALÁXIAS DISTANTES


O ALMA detectou reservatórios turbulentos de gás frio em torno de galáxias distantes com formação estelar explosiva. Ao detectar CH+ pela primeira vez, este trabalho abre uma nova janela na exploração de uma época crítica de formação estelar no Universo. A presença deste íon lança uma nova luz sobre como é que as galáxias conseguem estender o seu período de formação estelar rápida. Os resultados foram publicados hoje na revista Nature.
Uma equipe liderada por Edith Falgarone (Ecole Normale Supérieure e Observatoire de Paris, França) utilizou o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para detectar assinaturas do íon de hidreto de carbono CH+ em galáxias distantes com formação estelar explosiva. O grupo de pesquisadores identificou os fortes sinais de CH+ em cinco das seis galáxias estudadas, incluindo a Pestana Cósmica (eso1012). Este trabalho fornece novas informações que ajudam os astrônomos a compreender melhor o crescimento das galáxias e como é que o meio que envolve estes objetos alimenta a formação estelar.

“O CH+ é um íon especial. Precisa de muita energia para se formar e é muito reativo, o que significa que o seu tempo de vida é muito curto e não pode ser transportado para muito longe. 
Por isso, o CH+ mostra-nos como é que a energia flui nas galáxias e no meio ao seu redor” diz Martin Zwaan, astrônomo do ESO, que contribuiu para o artigo científico que descreve os resultados.
Para percebermos como é que o CH+ rastreia a energia podemos fazer uma analogia com estar num barco num oceano tropical durante uma noite escura e sem Lua. Quando as condições são apropriadas, o plâncton fluorescente pode iluminar a região em redor do barco à medida que este avança. A turbulência causada pelo barco deslizando na água excita o plâncton, que emite luz, revelando assim a presença de regiões turbulentas na água escura por baixo de nós. Uma vez que o CH+ se forma exclusivamente em pequenas áreas onde os movimentos turbulentos do gás se dissipam, a sua detecção rastreia essencialmente a energia em escala galáctica.
O CH+ observado revela densas ondas de choque, alimentadas por ventos galácticos rápidos e quentes que têm origem nas regiões de formação estelar das galáxias. Estes ventos fluem ao longo da galáxia e empurram o material para fora desta, no entanto os seus movimentos turbulentos são tais que parte deste material pode ser de novo capturado pela atração gravitacional da própria galáxia. A matéria aglomera-se em enormes reservatórios turbulentos de gás frio de baixa densidade, estendendo-se mais de 30 mil anos-luz a partir da região de formação estelar da galáxia.
“Com o CH+ aprendemos que a energia está armazenada no interior de vastos ventos do tamanho de galáxias e que termina como movimentos turbulentos em reservatórios invisíveis de gás frio que rodeiam a galáxia,” disse Falgarone, autor principal do novo artigo científico. “Os nossos resultados desafiam a teoria de evolução galáctica. Ao dar origem a turbulência nos reservatórios, estes ventos galácticos aumentam a fase de formação estelar explosiva, em vez de a extinguirem.”
A equipe determinou que os ventos galácticos não podem por si próprios alimentar os reservatórios gasosos recentemente descobertos, sugerindo que a massa vem de fusão ou acreção galácticas de correntes de gás escondidas, como previsto pela atual teoria.
“Esta descoberta representa um enorme passo em frente na nossa compreensão de como o fluxo de material é regulado em torno das galáxias com a mais intensa formação estelar explosiva do Universo primordial,” disse o Diretor de Ciência do ESO, Rob Ivison, co-autor do novo artigo. “Este trabalha demonstra bem o que pode ser alcançado quando cientistas de uma variedade de áreas se juntam para explorar as capacidades de um dos mais poderosos telescópios do mundo.”

domingo, 1 de outubro de 2017

OS CONTATOS IMEDIATOS DE ESTRELAS COM O NOSSO SISTEMA SOLAR


Os movimentos de mais de 300 mil estrelas pesquisadas pelo satélite GAIA da ESA revelam que raros encontros com o nosso Sol podem perturbar a nuvem de cometas localizada nos confins do nosso Sistema Solar, e enviar alguns deles em direção à Terra num futuro distante.
À medida que o Sistema Solar se move através da Via Láctea, e à medida que as outras estrelas também seguem suas trajetórias, encontros próximos entre as estrelas se torna algo inevitável, só lembrando que esse próximo quer dizer muitos trilhões de quilômetros.
Uma estrela, dependendo da sua massa e da sua velocidade, precisaria estar a cerca de 60 trilhões de quilômetros antes de começar a afetar o distante reservatório de cometas do nosso Sistema Solar, a chamada Nuvem de Oort, que acredita-se se estenda a cerca de 15 trilhões de quilômetros do Sol, ou seja, 100 mil vezes a distância da Terra ao Sol.
Só para comparação, o planeta mais externo do Sistema Solar, Netuno, orbita o Sol a uma distância média de 4.5 bilhões de quilômetros, ou seja, 30 vezes a distância entre a Terra e o Sol.
A influência gravitacional das estrelas que passam perto da Nuvem de Oort poderia perturbar a trajetória dos cometas que ali residem, colocando-os numa órbita em direção ao Sistema Solar interno.
Acredita-se que é essa interação de estrelas passando perto da nuvem de Oort que faça com que alguns cometas apareçam no nosso céu a cada centenas de milhões de anos, e essa interação de alguma maneira poderia colocar cometas em rota de colisão com alguns planetas, inclusive a Terra.
Desse modo, entender os movimentos passados e futuro das estrelas é o principal objetivo da missão GAIA, que faz isso coletando dados precisos sobre as posições das estrelas e seus movimentos no decorrer dos seus 5 anos de missão. Depois de 14 meses, o primeiro catálogo com mais de 1 bilhão de estrelas foi lançado, esse catálogo inclui as distâncias e os movimentos pelo céu de mais de 2 milhões de estrelas.
Combinando os novos resultados com informações já existentes, os astrônomos começaram a fazer um estudo detalhado da passagem de estrelas perto do nosso Sol.
Para isso, os movimentos relativos ao Sol de mais de 300 mil estrelas foram rastreados através da galáxia e suas maiores aproximações foram determinadas para um intervalo de tempo de 5 milhões de anos no passado e no futuro.
De todas essas estrelas estudadas, 97 passarão a uma distância de 150 trilhões de quilômetros do Sol, enquanto que 16 chegaram a uma distância de aproximadamente 60 trilhões de quilômetros.
Enquanto essas 16 são consideradas estrelas que passarão relativamente perto do Sol, uma em particular passará bem perto mesmo, a Gliese 710, em 1.3 milhão de anos. A previsão a partir desse estudo é que ela passe a apenas 2.3 trilhões de quilômetros do Sol, ou seja, 16 mil vezes a distância da Terra ao Sol, bem dentro da Nuvem de Oort.
A estrela é bem documentada, e graças aos dados da missão Gaia, a distância desse encontro foi recentemente revisada. Anteriormente, existia 90% de probabilidade da estrela passar entre 3.1 e 13.6 trilhões de quilômetros de distância. Agora, os dados mais precisos sugerem que ela passará entre 1.5 e 3.2 trilhões de quilômetros, sendo que 2.3 trilhões de quilômetros é a distância mais provável.
Além disso, embora a Gliese 710 tenha uma massa de 60% da massa do Sol, ela viaja a uma velocidade muito mais lenta que as demais estrelas, aproximadamente 50 mil km/h, enquanto as demais estrelas viajam a cerca de 100 mil km/h.
A velocidade dessa passagem significa que ela terá um bom tempo para exercer sua influência gravitacional nos corpos da Nuvem de Oort, potencialmente mandando uma chuva de cometas para dentro do Sistema Solar.
Apesar de passar lentamente pela Nuvem de Oort ela ainda aparecerá como o objeto mais brilhante e mais rápido no céu noturno da Terra, durante a sua aproximação máxima.
O último estudo usando medidas feitas pelo Gaia para fazer uma estimativa geral da taxa de encontro estelares, leva em consideração incertezas como a de estrelas que podem não ter sido observadas no catálogo.
Para um intervalo de tempo de 5 milhões de anos no passado e no futuro, a taxa geral de encontro próximo com uma estrela é estimada em cerca de 550 estrelas por milhão de anos, para uma passagem dentro de 150 trilhões de quilômetros, das 20 estrelas chegaram mais perto do que 30 trilhões de quilômetros.
Isso mostra que um potencial encontro próximo pode ocorrer a cada 50 mil anos. É importante notar que não é garantido que uma estrela perturbe de verdade qualquer cometa e que eles entrarão nas regiões mais internas do Sistema Solar, e além disso que a Terra estará na linha de fogo desses cometas.
Todas essas estimativas serão refinadas com futuros dados da missão Gaia. O segundo catálogo está programado para ser lançado em Abril de 2018, contendo a informação de 20 vezes mais estrelas, permitindo a reconstrução em um intervalo de tempo de 25 milhões de anos no passado e no futuro.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

ESTRELA ENVELHECENDO SOPRA BOLHA DIFUSA

Bolha delicada de material expelido encontrada em torno da estrela vermelha fria U Antliae
Astrônomos usaram o ALMA para capturar esta bela imagem de uma delicada bolha de material expelido pela exótica estrela vermelha U Antliae. 
Estas observações irão ajudar os astrônomos a compreender melhor como é que as estrelas evoluem durante as fases finais do seu ciclo de vida.
Na fraca constelação austral da Máquina Pneumática, um observador cuidadoso munido de binóculos poderá ver uma estrela muito vermelha, que varia ligeiramente em brilho de semana para semana. Esta estrela muito incomum chama-se U Antliae e novas observações obtidas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) revelam uma concha esférica bastante fina à sua volta.
U Antliae  é uma estrela de carbono, isto é, uma estrela evoluída, luminosa e fria do ramo assintótico das gigantes. Há cerca de 2700 anos, U Antliae sofreu um período curto de perda de massa rápida. Durante este período de apenas algumas centenas de anos, o material que compõe a concha, que agora observamos nos novos dados ALMA, foi ejetado a alta velocidade. A análise detalhada desta concha mostrou também a existência de nuvens de gás finas e esparsas, as chamadas subestruturas filamentares.
Esta imagem se tornou possível devido à capacidade única do rádio telescópio ALMA em criar imagens nítidas em vários comprimentos de onda. O ALMA, situado no planalto do Chajnantor no deserto chileno do Atacama, conseguiu observar a estrutura da concha da U Antliae com muito mais detalhe do que o conseguido até então.
Os novos dados ALMA não consistem apenas numa única imagem: o ALMA produz um conjunto de dados tridimensionais (um cubo de dados) com cada “fatia” correspondente a um comprimento de onda ligeiramente diferente. Devido ao efeito Doppler, cada fatia diferente do cubo de dados mostra imagens do gás deslocando-se a velocidades diferentes, aproximando-se ou afastando-se do observador. Ao dispormos de velocidades diferentes, podemos cortar a bolha cósmica em fatias virtuais, tal como uma tomografia do corpo humano feita pelo computador. A concha observada apresenta-se simetricamente bastante redonda e muito fina, o que faz dela uma estrutura notável.
Compreender a composição química das conchas e atmosferas destas estrelas, e saber como é que estas conchas se formam por perda de massa, é importante para compreendermos como é que as estrelas, e consequentemente as galáxias, evoluíram no Universo primordial. Conchas como a que observamos em torno de U Antliae mostram uma enorme variedade de componentes químicos baseados no carbono e em outros elementos. Estas conchas ajudam igualmente a reciclar matéria, contribuindo com até 70% da poeira do meio interestelar.

NADA DE MEGAESTRUTURA ALIENÍGENA: A ESTRELA DE TABBY PROVAVELMENTE É EMPOEIRADA


A megaestrutura alienígena está descartada. Uma nova pesquisa mostra que a variação incomum de brilho da estrela KIC 8462852 provavelmente é causada por nuvens de poeira ou por um ciclo anormal de aumento e diminuição brilho, sugerem dois novos artigos.
Huan Meng da Universidade do Arizona em Tucson e seus colegas, sugerem que a KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Tabby, está diminuindo seu brilho graças a uma fina nuvem de partículas de poeira orbitando a estrela. A equipe observou a estrela com os telescópios espaciais de infravermelho Spitzer e ultravioleta Swift, de Outubro de 2015 até Dezembro de 2016 – a primeira vez que a estrela foi observada com múltiplos comprimentos de onda. Eles descobriram que a estrela está diminuindo de brilho mais rápido nos comprimentos de onda mais curtos do azul do que nos comprimentos de onda infravermelho mais longos, sugerindo partículas menores.
“Isso quase que absolutamente descarta o cenário de uma megaestrutura alienígena, a menos que essa estrutura seja micro e não mega”, disse Meng.
A estrela de Tabby é mais famosa pela sua repentina queda de brilho de cerca de 22% no decorrer de alguns dias. Observações posteriores sugerem que a estrela está perdendo 4% de seu brilho por ano, o que a equipe de Meng confirmou no artigo publicado.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

HUBBLE MOSTRA PRIMEIRAS PISTAS DE ÁGUA NOS PLANETAS DO SISTEMA TRAPPIST-1


Uma equipe internacional de astrônomos usou o Telescópio Espacial Hubble, da NASA e ESA para estimar se pode existir água em alguns dos sete planetas que orbitam a estrela anã próxima TRAPPIST-1. Os resultados sugerem que os planetas mais externos podem ainda ter uma boa quantidade de água. Isso inclui os 3 planetas dentro da zona habitável da estrela, o que conta muito sobre a possibilidade que eles possam ser habitáveis.
No dia 22 de fevereiro de 2017, os astrônomos anunciaram a descoberta de sete planetas com o tamanho parecido com a Terra na órbita da estrela anã ultrafria, TRAPPIST-1, localizada a 40 anos-luz de distância da Terra. Isso fez com que o sistema da TRAPPIST-1 se tornasse o sistema planetário com o maior número de planetas com o mesmo tamanho da Terra já descoberto.
Agora, um grupo internacional de astrônomos liderado pelo astrônomo suíço Vincent Bourrier do Observatorie de l’Université de Genéve, usou o Space Telescope Imaging Spectrograph (STIS) no Hubbble  para estudar a quantidade de radiação ultravioleta recebida por cada planeta do sistema. “A radiação ultravioleta é um fator importante na evolução atmosférica dos planetas”, explica Courrier. “Como na nossa atmosfera, onde a luz solar ultravioleta quebra as moléculas, a radiação ultravioleta emitida por uma estrela pode quebrar as moléculas de vapor d’água na atmosfera dos exoplanetas em hidrogênio e oxigênio”.
Enquanto que a radiação ultravioleta de energia mais baixa, quebra as moléculas de água, num processo chamado de fotodissociação, os raios ultravioleta de maior energia, a radiação XUV, e os raios-X aquecem a atmosfera superior de um planeta o que permite que os produtos da fotodissociação, hidrogênio e oxigênio, escapem.
Como é muito leve, o gás hidrogênio pode escapar da atmosfera dos exoplanetas e ser detectado ao redor deles com o Hubble, e essa detecção age como um indicador de vapor de água atmosférico. A quantidade de radiação ultravioleta observada emitida pela TRAPPIST-1 sugere que os planetas possam ter tido uma gigantesca perda de água no decorrer da sua história.
Isso é especialmente verdade para os dois planetas mais internos, o TRAPPIST-1b e o TRAPPIST-1c, que recebem uma maior quantidade de energia ultravioleta. “Nossos resultados indicam que o escape atmosférico pode ter um papel importante na evolução desses planetas”, resume Julien de Wit, do MIT, co-autor do trabalho.
Os planetas internos poderiam ter uma perda de mais de 20 oceanos terrestres de água durante os últimos 8 bilhões de anos. Contudo os planetas mais externos do sistema, incluindo o e, f e o g que estão na zona habitável, apresentaram uma perda de água muito menor, sugerindo que eles podem ter retido uma porção dessa água na sua superfície. A taxa de perda de água calculada bem como a taxa de água geofísica lançada também favorece a ideia de que os planetas mais externos, mais massivos conseguiram reter alguma água. Contudo, com os dados atualmente disponíveis não é possível se ter uma conclusão definitiva sobre o conteúdo de água nos planetas que orbitam a TRAPPIST-1.
“Enquanto nossos resultados sugerem que os planetas externos são os melhores candidatos para uma pesquisa futura a ser realizada com o Telescópio Espacial James Webb. Eles também destacam a necessidade de estudos teóricos e observações complementares em todos os comprimentos de onda para determinar a natureza dos planetas ao redor da TRAPPIST-1 e sua potencial habitabilidade”, conclui Bourrier.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

OS DETALHES IMPRESSIONANTES DA CRATERA JULING EM CERES REGISTRADOS PELA SONDA DAWN DA NASA


Essa imagem de alta resolução da Cratera Juling em Ceres, revela em grande detalhe, as feições localizadas no anel e a no assoalho da cratera. A cratera tem cerca de 2.5 quilômetros de profundidade e a pequena montanha vista a esquerda do centro da cratera, tem cerca de 1 km de altura. 
As muitas feições indicam o fluxo de material sugerindo que a subsuperfície é rica em gelo. A estrutura geológica dessa região, também geralmente sugere que o gelo esteja envolvido.
A origem da pequena depressão vista na parte superior da montanha não é completamente entendida mas pode ter se formado como consequência de um deslizamento de terra, visível no flanco nordeste.
Juling recebeu esse nome em homenagem a Sakai/Orang Asli, o espírito que protege as plantações na Malásia.
A sonda Dawn fez essa imagem durante a parte estendida da sua missão, no dia 25 de Agosto de 2016, desde a sua órbita de mapeamento de baixa altitude, a uma distância de cerca de 385 km da superfície de Ceres. As coordenadas do centro da imagem são 36 graus de latitude norte e 167 graus de longitude leste.
A missão da sonda Dawn é gerenciada pelo JPL para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. A sonda Dawn, é um projeto do Discovery Program, gerenciado pelo Marshall Space Flight Center em Huntsville no Alabama. A UCLA é responsável pela missão científica geral da sonda Dawn. A empresa Orbital ATK Inc., em Dulles, Virginia, desenhou e construiu a sonda. O German Aerospace Center, o Max Planck Institute for Solar System Research, a Italian Space Agency, e o Italian National Astrophysical Institute são parceiros internacionais da equipe da missão.
Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

sábado, 23 de setembro de 2017

SONDA NEW HORIZONS JÁ TEM O PLANO DE COMO SOBREVOAR O 2014 MU69


A missão da sonda New Horizons já tem a distância com a qual sobrevoará o Objeto do Cinturão de Kuiper, 2014 MU69 no primeiro dia do ano de 2019 definida, e essa distância é cerca de 3 vezes mais próxima do objeto do que a sonda passou por Plutão.
Esse encontro marcará o encontro mais distante já feito com um objeto do nosso Sistema Solar, algo em torno de 1.5 bilhão de quilômetros além de Plutão e mais de 6.5 bilhões de quilômetros da Terra. Se tudo correr como planejado, a sonda New Horizons passará a cerca de 3500 km do MU69, no momento da sua maior aproximação, espiando o objeto a partir do norte celeste do objeto. O plano alternativo, que pode ser usado em caso de contingência, como por exemplo, a descoberta de detritos perto do MU69, levará a New Horizons a cerca de 10 mil km do objeto, ainda assim mais perto dele do que ela passou de Plutão, que no momento da maior aproximação, estava a cerca de 12500 km do planeta anão.
“Eu não poderia estar mais animado sobre essa performance da New Horizons”, disse Jim Green diretor de Ciência Planetária da NASA na sede da agência em Washington. “Essa missão continua levando ao limite o que é possível de ser feito com uma sonda espacial, e eu já fico imaginando aqui como serão os dados e as imagens do objeto mais distante que uma sonda já visitou na história”.
Se a distância durante a maior aproximação for a menor possível, a câmera de alta resolução da New Horizons conseguirá imagens com detalhes de 70 metros, só para comparação, em Plutão foi de 183 metros.
“Nós estamos planejando voar mais perto do MU69 do que voamos de Plutão e conseguir dados melhores e imagens de mais alta resolução”, disse o principal investigador da New Horizons, Alan Stern do Southwest Research Institute (SwRI), de Boulder, Colorado. “A ciência será espetacular”.
A equipe está considerando inúmeros fatores para fazer a escolha correta, disse John Spencer, membro da equipe científica e do planejamento de sobrevoo. “As considerações incluem o que sabemos sobre o MU69, seu tamanho, sua forma, e os perigos à sua volta, os desafios de se navegar perto do MU69 enquanto se obtém imagens nítidas e bem expostas e outras capacidades e recursos da nave”, disse Spencer.
Usando todos os sete instrumentos científicos a bordo, a New Horizons irá obter extensos dados geológicos, geofísicos, de composição e outras informações sobre o MU69, ela também irá buscar por satélites e por uma atmosfera no objeto”.
“Alcançar o 2014 MU69 e ver ele como um mundo verdadeiro, será outra realização histórica de exploração”, disse Helene Winters, gerente de projeto da New Horizons no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland. “Nós estamos realmenteindo onde ninguém foi antes. Toda nossa equipe está animada sobre os desafios e as oportunidades da viagem até essa fronteira distante”.
Fonte:nasa.gov

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A IMPRESSIONANTE ONDA DE DENSIDADE DE JANUS REGISTRADA PELA SONDA CASSINI


Essa bela imagem feita pela sonda Cassini da NASA mostra uma estrutura ondulada nos anéis de Saturno conhecida como onda de densidade espiral Janus 2:1. Resultado do mesmo processo que cria as galáxias espirais, as ondas de densidade espirais nos anéis de Saturno são muito mais justas. Nesse caso, cada crista de segunda onda é na verdade o mesmo braço espiral que circulou o planeta múltiplas vezes.
Essa é somente a maior onda de densidade visível no Anel B de Saturno. A maior parte do Anel B é caracterizada pela estrutura que domina as áreas onde as ondas de densidade podem ocorrer, mas essa porção mais interna do Anel B é diferente.
O raio de Saturno onde as ondas se originam, na direção inferior direita da imagem é de 96233 km do planeta. Nessa localização, as partículas do anel orbitam Saturno duas vezes para cada vez que a lua Janus orbita o planeta, criando assim uma ressonância orbital. A onda se propaga para fora a partir da ressonância (e para fora de Saturno), na direção do canto superior esquerdo da imagem. Por razões que os pesquisadores não entendem perfeitamente, as ondas formadas em anéis maiores é muito mais fraca nessa localização, assim essa onda é vista com centenas de cristas brilhantes, diferente das ondas de densidade no Anel A, por exemplo.
A imagem dá uma ilusão que o plano do anel é inclinado para fora da câmera na direção da parte superior esquerda da imagem, mas esse não é o caso. Por conta da mecânica de como esse tipo de onda se propaga, o comprimento de onda diminui com a distância da ressonância. Assim, a parte superior esquerda da imagem está mais perto da câmera do que a parte inferior direita, enquanto que o comprimento de onda da onda de densidade é menor.
Essa onda é impressionante, porque Janus, a lua que a gera, tem uma estranha configuração orbital. Janus e Epimeteu, compartilham praticamente a mesma órbita e trocam de lugar a cada quatro anos. Cada vez que essas órbitas trocam , o anel na sua posição responde, criando uma nova crista na onda de densidade. A distância entre qualquer par de cristas corresponde a quatro anos de propagação de ondas, o que significa que a onda vista nessa imagem representa muitas décadas de história orbital de Janus e Epimeteu. De acordo com essa interpretação, a parte da onda na parte mais acima e a esquerda dessa imagem corresponde às posições que Janus e Epimeteu estavam quando a sonda Voyager sobrevoou Saturno em 1980 e 1981, essa foi a época em que Janus e Epimeteu foram provados como sendo dois distintos objetos, lembrando que eles foram descobertos em 1966.
Epimeteu também gera ondas na sua posição, mas elas são varridas pelas ondas geradas por Janus, já que Janus é a maior das duas luas.
Essa imagem foi feita em 4 de Junho de 2017, com a câmera de ângulo restrito da sonda Cassini. A imagem foi adquirida com a sonda apontada para o lado iluminado pelo Sol dos anéis, a uma distância de cerca de 76 mil quilômetros. A escala da imagem é de 530 metros por pixel. O conjunto Sol-Anel-Cassini estava em fase, com ângulo de 90 graus no momento da imagem.
A missão Cassini é um projeto cooperativo da NASA, ESA, e ISA. O Laboratório de Propulsão a Jato, uma divisão da Caltech, em Pasadena, gerencia a missão para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. O módulo orbital Cassini e suas duas câmeras de bordo foram desenhadas, desenvolvidas e montadas no JPL. O centro de operações de imagens da Cassini fica baseado no Space Science Institute em Boulder no Colorado.
Crédito da Imagem: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O FENÔMENO INTRIGANTE DO UNIVERSO ONDE VIVEMOS


Os fenômenos que acontecem no universo emitem radiação em todo o espectro eletromagnético, desde os raios-gamma de alta energia, que são emitidos pelos eventos mais energéticos do cosmos até as ondas de rádio e micro-ondas de menor energia.
As micro-ondas, a mesma radiação que esquenta o seu jantar, são produzidas por uma grande quantidade de fontes astrofísicas, incluindo fortes emissores como os masers (lasers de micro-ondas), e até mesmo por emissores mais fortes ainda que levam o nome de megamasers e pelo centro de algumas galáxias. Os centros galácticos especialmente intensos e luminosos são conhecidos como núcleo ativos de galáxias. Eles são intensos assim pois são energizados por buracos negros supermassivos que estão num voraz processo de alimentação, sugando o material ao redor, porém parte desse material que não cai no buraco negro é ejetado como jatos e radiação.
As duas galáxias mostradas nessa imagem foram fotografadas pelo Telescópio Espacial Hubble, e são denominadas de MCG+01-38-004 (a superior, avermelhada) e a MCG+01-38-005 (a inferior e azulada). A MCG+01-38-005 é um tipo especial de megamaser, o núcleo ativo da galáxia está bombeando para fora uma grande quantidade de energia, o que estimula nuvens de água ao redor. Os átomos que constituem a água, de hidrogênio e oxigênio, são capazes de absorver parte dessa energia e reemitir em um comprimento de onda específico, um dos quais cai dentro do regime de micro-ondas. A MGC+01-38-005 é então conhecida como megamaser de água.
Os astrônomos podem usar esses objetos para pesquisar as propriedades fundamentais do universo. As emissões de micro-ondas da MGC+01-38-005 foram usadas para calcular um valor refinado para a constante de Hubble, uma medida de quão rápido o universo está se expandindo. Essa constante tem esse nome em homenagem ao astrônomos que fez as observações responsáveis pela descoberta da expansão do universo, e que depois também foi homenageado dando nome ao telescópio espacial Hubble, Edwin Hubble.

domingo, 17 de setembro de 2017

A GALÁXIA NGC 5559 E SEUS MISTÉRIOS


Como fogos de artifício iluminando o céu durante as comemorações de ano novo, os majestosos braços espirais da NGC 5559 são iluminados com novas estrelas que estão nascendo.
 A NGC 5559 é uma galáxia espiral, com braços preenchidos por gás e poeira que circundam um brilhante bulbo central galáctico. Esses braços são considerados um ambiente rico para a formação de estrelas, pontilhados com um festivo conjunto de cores, incluindo estrelas recém-nascidas que brilham com tonalidade azulada como resultado da grande temperatura que ainda preservam.
A NGC 5559 foi descoberta pelo astrônomo William Herschel em 1785 e localiza-se a aproximadamente 240 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação de Boötes.
Em 2001, uma supernova rica em cálcio chamada de 2001co foi observada na NGC 5559. As supernovas ricas em cálcio, ou também chamadas de Ca-rich SNe, são descritas como rápidas e apagadas, já que elas são menos luminosas que os outros tipos de supernovas e também se desenvolvem muito rapidamente, além de revelar o espectro dominado pela forte linha de cálcio. A 2001co ocorreu dentro do disco da NGC 559 perto das regiões de formação de estrelas, mas as Ca-rich SNe são normalmente observadas em grandes distâncias o que traz questões curiosas sobre suas progenitoras.
Fonte: Space Telescope -space today

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

BURACOS NEGROS SUPERMASSIVOS ALIMENTAM-SE DE MEDUSAS CÓSMICAS

Exemplo de uma galáxia medusa
Observações de “galáxias medusa” obtidas com o Very Large Telescope do ESO revelaram uma maneira até então desconhecida de alimentar buracos negros. Parece que o mecanismo que produz os tentáculos de gás e as estrelas recém nascidas que dão o nome curioso a este tipo de galáxias tornam também possível que o gás chegue às regiões centrais das galáxias, alimentando o buraco negro que se esconde no centro de cada uma delas e fazendo com que brilhem intensamente. Os resultados foram divulgados hoje na revista Nature.
Uma equipe liderada por astrônomos italianos utilizou o instrumento MUSE (Multi-Unit Spectroscopic Explorer) montado no Very Large Telescope (VLT), instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, para estudar como é que o gás é arrancado das galáxias. A equipe focou-se no exemplo extremo de galáxias medusa, situadas em aglomerados de galáxias próximos e assim chamadas devido aos seus “tentáculos” de matéria notavelmente longos, que se estendem por dezenas de milhares de anos-luz além dos discos galácticos .
Os tentáculos das galáxias medusa são produzidos em aglomerados de galáxias por um processo chamado varrimento por pressão dinâmica. A sua interação gravitacional mútua faz com que as galáxias caiam a alta velocidade nos aglomerados de galáxias, onde encontram um gás quente e denso que atua como um poderoso vento, retirando caudas de gás dos discos galácticos e dando origem a intensa formação estelar nessas galáxias.
Descobriu-se que seis das sete galáxias medusa do estudo abrigam um buraco negro supermassivo no centro, que se alimenta do gás ao redor. Esta fração de galáxias é inesperadamente alta — em galáxias, de modo geral, esta fração é inferior a uma em cada dez.
“Esta forte ligação entre o varrimento por pressão dinâmica e buracos negros ativos não foi prevista nem relatada anteriormente,” disse a chefe da equipe Bianca Poggianti do INAF-Observatório Astronômico de Pádua, na Itália. “Parece que o buraco negro central está sendo alimentado porque uma parte do gás, em vez de ser removido, está chegando ao centro da galáxia.”
Uma pergunta ainda sem resposta é porque apenas uma pequena fração dos buracos negros supermassivos existentes nos centros das galáxias se encontram ativos. Estes objetos encontram-se em quase todas as galáxias, por isso porque é que apenas alguns acretam matéria e brilham intensamente? Estes resultados revelam um mecanismo anteriormente desconhecido que alimenta os buracos negros.
Yara Jaffé, bolsista do ESO que contribuiu para o artigo, explica a importância deste resultado: ”Estas observações do MUSE sugerem um mecanismo novo, que direciona o gás para a vizinhança do buraco negro. Este resultado é importante porque nos fornece uma nova peça do quebra-cabeças das ligações, ainda pouco compreendidas, entre buracos negros supermassivos e suas galáxias hospedeiras.”
Estas observações fazem parte de um estudo muito mais extenso, com muito mais galáxias medusa, que está atualmente em curso.
“Quando estiver completo, este rastreio revelará quantas galáxias ricas em gás que entram nos aglomerados, e quais, atravessam um período de atividade aumentada nos seus centros,” conclui Poggianti. “Um problema ainda sem solução na astronomia tem sido compreender como é que as galáxias se formam e mudam no nosso Universo em expansão e evolução. As galáxias medusa são a chave para compreendermos a evolução galáctica, uma vez que são observadas em plena transformação drástica.”

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

2010 TK7: O ASTEROIDE TROIANO DA TERRA


O asteroide troiano da Terra foi descoberto em outubro de 2010 pela NASA, ele tem estado conosco há muito tempo na nossa viagem ao redor do Sol. 
O Canadá-França-Havaí Observatory em abril de 2011 confirmou a sua "Trojan".
2010 TK7 oscila em torno de um ponto privilegiado, que é o ponto de Lagrange L4 do casal Sol-Terra, que é de 60° à frente da Terra em sua órbita em torno do Sol. Dos cinco pontos de Lagrange, apenas os pontos L4 e L5 são estáveis, o que significa que o material e tendem a acumular poeira nestas áreas específicas das órbitas dos planetas.
2010 TK7 não pode colidir com a Terra.
Encontrados mais dois em Júpiter ao redor do Sol, centenas de asteroides Troianos que foram aglutinados.
Também é encontrado em algumas órbitas casais como Netuno-Sol e Marte-Sol. Há também objetos Troianos no sistema Saturno satélites  de Saturno-Tethys  tem 2 troianos com Telestoe e Calypso, respectivamente 29 e 26 km de diâmetro, os pontos L4 e L5.
Saturno-Dione com Helen, e uma estrela de 33 km de diâmetro, para a ponto L4 e Pollux ponto L5.
Mas até 2010 nenhuma terra trojan foi descoberto.
2010 TK7 é tão pequeno (300 metros)  era difícil de ver. Além disso, é perto do Sol e, muitas vezes em sua luz. O asteroide está localizado cerca de 80 milhões de quilómetros da Terra será mais próximo da Terra em 24 milhões de quilômetros em 100 pra Um asteroide Trojan é um asteroide que acompanha um planeta em sua revolução em torno do Sol. A sua posição relativa para a Terra é particular, ele é colocado em um dos pontos de equilíbrio estável chamados pontos de Lagrange. Este ponto precede a Terra ou está adiante, conforme com um ângulo preciso (60°), sem nunca colidir com ela.
Imagem: 2010 TK7 ( pequeno no círculo verde) foi fotografado pela primeira vez em outubro de 2010 pela Survey Explorer Wide-field Infrared em um programa que foi projetado para fotografar o céu inteiro.
O descobrimento foi publicado em julho de 2011 na revista Nature. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

POR QUE AS ESTRELAS TEM CORES DIFERENTES

aglomerados de estrelas vistas pelo telescópio espacial Hubble
As estrelas são fascinantes, e possuem uma incrível variedade de tamanho, composição, e até mesmo de cores... mas você já se perguntou por que as cores das estrelas são tão diferentes?
Com o passar de vários séculos de estudos, os astrônomos começaram a decifrar as diferenças das estrelas, mesmo estando tão distantes de nós.
A cor de uma estrela, que pode variar desde de o branco azulado até o vermelho, nos informa basicamente qual é sua composição e sua temperatura. As estrelas emitem radiação em diferentes tipos de onda do espectro, e ainda por cima, suas cores podem variar ao longo do tempo.
Composição
Cada elemento emite radiação em um nível diferente do espectro eletromagnético. Isso também acontece com as estrelas, que emitem radiação conforme seus constituintes básicos (hidrogênio e hélio) e traços de outros elementos mais pesados em menor quantidade. Ou seja, a cor que enxergamos em cada estrela é uma combinação de diferentes níveis de ondas do espectro, a qual nos referimos como Curva de Planck.
espectro eletromagnético
espectro eletromagnético
Descrição dos níveis de onda do espectro eletromagnético, escala de comprimento,
temperatura correspondente e frequência. Créditos: Wikimedia Commons / Khemis 
O nível de onda no qual uma estrela emite a maior parte de sua luz (ou o máximo da radiação de uma estrela) é chamado de "pico de emissão" (Lei de Wien), que destaca a emissão mais intensa na Curva de Planck. No entanto, como esse nível de onda é enxergado pelos olhos humanos depende também dos outros níveis de onda.
Resumindo, quando todos os níveis de onda do espectro (desde os mais intensos até os mais tênues) são combinados, os olhos humanos enxergam a cor branca. Isso faz com que a cor aparente de uma estrela seja sempre mais clara do que realmente é. O "pico de emissão" do nosso Sol, por exemplo, corresponde ao verde no espectro, porém, o enxergamos como amarelo claro... e na verdade, o Sol pode ter várias cores, dependendo de qual faixa do espectro estamos observando.
O Sol em diferentes niveis de onda - Universidade de Chicago
O Sol em diferentes níveis de onda. Créditos: University of Chicago / Tradução: Galeria do Meteorito
A composição de uma estrela é o resultado da história de sua formação. As estrelas nascem em nebulosas, compostas por gás e poeira, a todas são minimamente diferentes. As nebulosas são compostas basicamente de hidrogênio, mas também carregam outros elementos. A composição básica de uma nebulosa é o que irá determinar a composição da estrela que resultará dela.
A cor de cada estrela nos diz exatamente qual é sua composição. Claro, essas diferenças são muito sutis, mas graças ao estudo chamado espectroscopia (que examina a emissão de diferentes níveis de ondas), os cientistas são capazes de determinar quais elementos estão sendo "queimados" em seu interior.
Temperatura
Outro fator importante sobre as cores das estrelas é que elas nos dizem sobre quais são suas temperaturas. Quando uma estrela está ficando mais quente, sua emissão se move para os níveis de onda mais curtos, ou seja, para a região azul do espectro. Se as estrelas são mais frias, acontece o oposto, já que elas tendem a emitir níveis de ondas mais longos.
Distância
O terceiro e último fator que altera a forma como vemos a cor de uma estrela é o famoso "Efeito Doppler". Qualquer tipo de frequência acaba sendo alterada, baseada na distância entre sua fonte e o observador. Isso também vale para o som ou outros tipos de ondas.
Em Astronomia, esse efeito causa o desvio para o vermelho ou o desvio para o azul. Para entender isso, imagine que você está a 100 metros de um carro de som, e que você tem a habilidade de se mover numa velocidade impossível, como o famoso The Flash, dos quadrinhos... Se você se distanciar rapidamente, passará a escutar a música como se estivesse em câmera lenta, já que a frequência do som está levando cada vez mais tempo para chegar em seus ouvidos. Por outro lado, se você se aproximar rapidamente do carro, escutará os próximos segundos de música em apena alguns milésimos, pois você foi de encontro com a emissão, que acabou levando menos tempo para chegar em seus ouvidos.

 Esse è tipo de alteração também ocorre com a luz, porém ela é bem mais sutil. Quando uma estrela está se distanciando rapidamente do nosso planeta, enxergamos sua cor mais avermelhada, pois seu nível de onda passa a se alongar; por outro lado, quando a estrela está se aproximando de nós, seu nível de onda é encurtado, e enxergamos sua cor mais azulada.
A Astronomia classifica as estrelas em diferentes grupos, baseado em suas características de classe espectral (cor), temperatura, tamanho e brilho. A maioria das estrelas estão atualmente classificadas no sistema MK (Morgan-Keenan). Esse sistema classifica as estrelas usando as letras O, B, A, F, G, K e M - O sendo as mais quentes e M as mais frias.
Cada letra é subdividida em um dígito numérico, que vai de 0 (mais quente) até 9 (mais fria). Por exemplo, a estrela mais quente de todas recebe a classificação de O1 e a mais fria, a de M9. E não para por aí...
No sistema MK, a classe de luminosidade é adicionada utilizando um numeral romano, baseado no espectro de cada estrela, que varia de acordo com sua densidade. Luminosidade 0 e I se aplica a estrelas hiper-gigantes; as classes II, III e IV é para as estrelas gigantes, subgigantes; a classe V é para estrelas da sequência principal (como nosso Sol); as classes VI e VII para estrelas anãs.
Existe também o famoso diagrama Hertzsprung-Russell, que nada mais é do que um gráfico de distribuição que nos mostra a relação entre a luminosidade de uma estrela versus seu tipo espectral e temperatura de superfície.
Diagrama Hertzsprung-RussellDiagrama Hertzsprung-Russell simplificado.
Créditos: divulgação / Edição e Tradução: Galeria do Meteorito
Essa classificação espectral vai do branco-azulado ao vermelho. Combinando esses dados com a magnitude absoluta de uma estrela (Mv), conhecemos sua posição nesse gráfico bi-dimensional.
Portanto, as estrelas azuis são mais quentes, chegando a temperaturas de até 30.000 K, além de serem maiores e mais massivas, chegando a ser 6 vezes maiores e 16 vezes mais massivas que nosso Sol. Na outra ponta do gráfico, as estrelas do tipo K e M (laranjas e anãs vermelhas) são mais frias, e suas temperaturas variam de 2.400 K a 5.700 K. Seus tamanhos ficam entre 0.7 e 0.96 comparadas com nosso Sol, com massa variando de 0.08 a 0.8.
As estrelas também sofrem alterações de tamanho e cor durante seus ciclos evolutivos. Para entender melhor esse aspecto, confira nossa matéria especial sobre o Ciclo estelar - A Vida das Estrelas do Começo ao Fim.
Nosso Sol, por exemplo, sairá da Sequência Principal e entrará na fase de estrela Gigante Vermelha, quando começar a ejetar sua massa para o espaço, deixando exposto seu núcleo, e posteriormente entrando na fase de anã branca.
Astrônomos estão constantemente decifrando o ciclo evolutivo das estrelas, e atualmente já conhecemos bastante sobre esses corpos gigantes. Se não fossem as estrelas, nós não estaríamos aqui, afinal elas são indispensáveis para a vida como conhecemos.
Mesmo nos tempos mais remotos, quando as civilizações antigas não tinham tamanho conhecimento astronômico, o Sol já era visto com grandiosidade, e muitas vezes era cultuado como um deus. Hoje, com o avanço científico, percebemos sua real importância, e quanto mais contemplamos o céu, seja de dia ou de noite, mais entendemos a fascinante história das estrelas...
Imagens: (capa-ilustração/divulgação) / Wikimedia Commons / Khemis / University of Chicago / Galeria do Meteorito / Wikimedia Commons / Charly Whisky / divulgação / Galeria do Meteorito

sábado, 9 de setembro de 2017

IRONIA CÓSMICA: BURACOS NEGROS PODEM TER TIRADO O UNIVERSO DA ESCURIDÃO

Ilustração artística mostra um buraco negro com gás circundante, criando uma ejeção de raios-X
Nova pesquisa abre uma janela para revelar um dos maiores mistérios da Astronomia
Como a luz deu fim a "Idade das Trevas" do Universo, aproximadamente 500 milhões de anos após o Big Bang?
Tudo começou no Big Bang, quando o Universo expandiu exponencialmente, dando origem a uma sopa cósmica de partículas fundamentais que se esfriou rapidamente em cerca de 400.000 anos, criando uma densa nuvem de hidrogênio por toda parte.
Toda e qualquer luz emitida por estrelas e galáxias teria sido absorvida imediatamente pelo hidrogênio neutro e espesso que tomava conta do espaço. Essa era ficou conhecida como a "Idade das Trevas" do Universo. Mas de alguma forma, tudo mudou e o Universo se aqueceu novamente, e se tornou um lugar cheio de brilho como conhecemos hoje... Mas como isso aconteceu?
Idade da Trevas - evolução do Universo - forma simplificada
Idade da Trevas e a evolução do Universo de forma simplificada.
Créditos: ESO
Por incrível que pareça, estudos sugerem que os responsáveis por dar luz ao Universo novamente foram aqueles que hoje são mais conhecidos por sugá-la: os buracos negros.
Estudos anteriores dizem que a radiação UV das estrelas e galáxias não teria sido suficiente para soprar o hidrogênio neutro e acabar com a Idade das Trevas. O novo estudo, por sua vez, baseado em dados do Observatório de raios-x Chandra, fornece pistas interessantíssimas.
Os buracos negros são famosos por devorar toda luz e matéria em torno deles, mas alguns são conhecidos por ejetar potentes jatos de partículas de raios-x de alta energia.
"À medida que a matéria cai em um buraco negro, ela começa a girar em rápida rotação, e isso ejeta uma fração dela", diz o autor principal do estudo Philip Kaaret, da Universidade de Iowa. "Eles estão produzindo esses ventos fortes que poderiam se a rota de fuga da luz ultravioleta. Isso pode ser o que aconteceu na Idade das Trevas."
Kaaret e sua equipe analisaram dados do Chandra de uma galáxia chamada Tol 1247-232, localizada a cerca de 600 milhões de anos-luz da Terra. É uma das três galáxias mais próximas onde o escape da luz UV foi observado. Eles observaram uma única fonte de raios-x nessa galáxia distante, cujo brilho cresceu e depois diminuiu. Kaaret e sua equipe tinham certeza de que a fonte não poderia ser uma estrela.
"É possível que o buraco negro crie ventos que ajudam a escapar a radiação ionizante das estrelas", disse Kaaret. "Assim, os buracos negros podem ter ajudado a tornar o Universo transparente."
Ele comparou o processo com um patinador artístico girando com os braços estendidos. À medida que o patinador aproxima seus braços de seu corpo, ela gira mais rápido. Os buracos negros operam de forma semelhante. À medida que a gravidade puxa a matéria para dentro em direção a um buraco negro, o buraco negro também gira mais rápido. À medida que a atração gravitacional do buraco negro aumenta, a velocidade também cria energia.
Como em Tol 1247-232, as explosões de raios-x no Universo primordial teriam calor e energia suficientes para quebrar as nuvens de gás e poeira, permitindo que a radiação UV escapasse.
Ironia astronômica - buracos negros podem ter tirado o Universo da escuridão
Ilustração artística mostra um buraco negro com gás circundante, criando uma ejeção de raios-X
dando origem a uma fonte de raios-X que será disparada para o espaço.
Créditos: NASA / JPL-Caltech
Segundo Kaaret, muitas estrelas do Universo primordial eram maciças, e como já sabemos, estrelas muito maciças têm uma vida curta. "Elas envelhecem rapidamente e se tornam buracos negros", disse ele. "O material em torno dos buracos negros é muito quente (milhões de Kelvin) e cria raios-x."
Apesar dos buracos negros serem os prováveis responsáveis por permitir a criação de toda a luz que vemos nos céus, a equipe gostaria de entender melhor essa questão. Se os buracos negros são mesmo os responsáveis por isso, então quais seriam os tipos de buracos negros?
A equipe não descarta a possibilidade de que as fontes de raios-x poderiam ser de objetos ultra-luminosos ou hiper-luminosos, como pares de buracos negros ou de estrelas de nêutrons.
Novas observações da galáxia Tol 1247-232 poderiam revelar se a emissão de raios-x provém de uma única fonte ou de fontes múltiplas. A equipe também está observando galáxias similares, como a Haro 11. Assim será possível confirmar se os buracos negros são mesmo os responsáveis por dar fim a Idade das Trevas, e iluminar o nosso Universo.
Imagens: (capa-NASA) / ESO / NASA / JPL-Caltech

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

VIDA EM SISTEMA DE SATURNO: CASSINI MOSTRA QUE ISSO É MUITO POSSÍVEL

Vida no sistema de Saturno parece ser possível
As complexas luas de Saturno são belíssimas e possuem aparências diversificadas, mas será que alguns desses mundos poderia abrigar alguma forma de vida?
Segundo os cientistas, os oceanos de água líquida, escondidos abaixo das crostas de gelo de três dos satélites naturais de Saturno são ótimas apostas para abrigar a vida como conhecemos. Encélado, Dione e Titã provavelmente possuem grandes oceanos subterrâneos, mas a estrutura de cada um dos oceanos apresenta uma probabilidade diferente de vida.
A missão Cassini-Huygens (uma parceria da NASA, da ESA e da Agência Espacial Italiana) foi extremamente importante pra conhecer os sistema de Saturno. Lançada em 1997, 18 luas eram conhecidas e 13 eram suspeitas. Agora, o número de luas confirmadas já passou de 50. A missão Cassini revelou sete luas completamente desconhecidas que não são visíveis ​​da Terra.
O complexo sistema de luas saturnianas forma um mecanismo de ressonâncias gravitacionais peculiar. Elas perturbam as órbitas umas das outras e esculpem constantemente os anéis de Saturno. O planeta maciço interrompe gravitacionalmente as luas, e aquece consideravelmente algumas delas.
Cientistas acreditam que algo maravilhoso poderia estar acontecendo sob a superfície da pequena lua Encélado. Em 1981, quando a nave espacial Voyager 2 da NASA fez um sobrevoo em Encélado, ela se mostrou como um mundo brilhante de poucas crateras. Essa lua de apenas 505 quilômetros de largura se tornou o objeto mais brilhante do Sistema Solar por conta de sua reflexão dos raios solares.
Encélado
Encélado, lua de Saturno, registrada pela sonda Cassini em julho de 2005.
Créditos: NASA / JPL / Space Science Institute
Em 2005, dados do magnetômetro de Cassini fizeram os cientistas ficarem de boca aberta: sua assinatura magnética se parecia mais com a de um cometa do com a de um satélite típico. As câmeras de Cassini registraram plumas de água contra o fundo preto do espaço, próximo da região polar.
Vários sobrevoos rasantes confirmaram que a região tinha temperaturas mais quentes do que o resto da superfície - cerca de 100°C. Foram encontradas fissuras e rachaduras da crosta gelada de Encélado, através da quais os geyseres de água eram liberados para o espaço a cerca de 1.300 km/h.
Em 12 de março de 2008, a sonda Cassini passou a apenas 50 km do pólo sul da lua, e descobriu que as plumas de água continham amônia, metano e dióxido de carbono. Em 2014, novos dados revelaram que a água dessas plumas era salgada, contendo potássio e sódio, muito parecida com a água dos oceanos da Terra. Gás de hidrogênio e cristais de silicato também foram encontrados nos jatos de água, e de acordo com os cientistas, isso só pode acontecer com água fervente.
Jatos de água de Encélado
Jatos de água de Encélado. Plumas de vapor de água registradas perto do polo sul de Encélado. Imagem feita pela sonda Cassini em novembro de 2005.
Créditos: NASA / JPL / Space Science Institute
Essas evidências sugerem portanto a presença de um oceano líquido de água salgada sob o gelo, em contato com um fundo quente e rochoso através do qual a água quente carregada de minerais flui. Provavelmente existem aberturas hidrotermais nas profundezas de Encélado, semelhantes aqueles encontrados em nosso planeta - um oásis para a vida?
Encélado é uma das maiores apostas para encontramos vida fora da Terra em nosso Sistema Solar. Essa pequena lua parece estar implorando para que retornemos com instrumentos capazes de detectar aminoácidos, moléculas de carbono e quem sabe, alguma forma de vida complexa.
Titã é dez vezes maior que Encélado, e também possui uma grande quantidade de líquidos, mas aquilo que flui em sua superfície é hidrocarboneto, e não água. Devido a sua temperatura de superfície, é difícil que encontremos água líquida, porém o metano, etano, e propano se deslocam em todos os três estados: sólido, líquido e gasoso. Sua neblina espessa dificulta qualquer observação aérea, mas sua atmosfera é rica em compostos orgânicos.
Titã e Saturno em cores reais
Titã e Saturno em cores reais, fotografados pela sonda Cassini em maio de 2012.
Créditos: NASA / JPL-Caltech / Space Science Institute
A notícia boa é que Cassini consegue observar através dessa espessa atmosfera através de ondas de radar. O pousador Huygens (pertencente a missão) tocou a superfície de Titã em janeiro de 2005, revelando um local repleto de lagos de hidrocarbonetos, muito parecido com os lagos e oceanos da Terra.
Titã também parece ter um núcleo quente. Ele completa uma volta ao redor de Saturno a cada 16 dias, mudando de forma durante essa trajetória. Se Titã fosse apenas um mundo sólido, seus efeitos de maré seriam dez vezes menores, de acordo com cientistas.
A crosta gelada de Titã pode evitar o contato da água líquida em seu interior com a mistura complexa de minerais necessários para a vida. Por conta disso, é fundamental saber se a superfície orgânica de Titã tem contato com os mares subterrâneos.
Titã e Saturno de fundo
Titã e sua espessa atmosfera registrada em close-up pela sonda Cassini, em dezembro de 2005.
Ao fundo, podemos ver o polo sul de Saturno.
Créditos: NASA / JPL / Space Science Institute
Um dos maiores mistérios de Titã é a quantidade de metano que existe em sua superfície. o metano desaparece rapidamente, portanto algo deve estar reabastecendo essa grande reserva. Se houver fissuras profundas através das quais a amônia de um oceano subterrâneo salgado seja liberada, os raios solares quebrariam as moléculas, liberando muito metano... Isso também permitiria o contato da atmosfera com o oceano escondido, o que elevaria consideravelmente as chances de algum tipo de vida existir no subterrâneo.
Assim como ocorre com Encélado e Titã, as luas Dione e Tétis estão sujeitas aos efeitos de maré geradas por Saturno. Em ambos os mundos, existem manchas em suas superfícies, onde lagos de água líquida parecem congelar em uma certa escala de tempo.
Dione é semelhante a Encélado, exceto pelo seu tamanho, de 1.100 km (cerca de duas vezes maior). A crosta gelada de Dione também é mais espessa que a crosta de Encélado. Estudos sugerem que a quantidade de água líquida existente abaixo da crosta de gelo de Dione é extremamente grande. Uma futura sonda submarina poderia encontra fontes de calor e nutrientes minerais que poderiam facilmente sustentar alguma forma de vida.
Dione, Saturno e seus anéis
Dione, Saturno e seus anéis. Registro feito pela sonda Cassini em outubro de 2005.
Créditos: NASA / JPL / Space Science Institute
Esses mundos de gelo que escondem oceanos subterrâneos não são uma exclusividade do sistema de Saturno. O sistema Plutão / Caronte, por conta do efeito de maré que um exerce sobre o outro, pode ter um núcleo aquecido, e partes de Plutão parecem ser ressurgidas do passado recente.
O gigante Júpiter também exerce forças de maré em suas luas, principalmente nas quatro observadas por Galileo há quatro séculos. Io, a lua mais interna, possui mais de 400 vulcões ativos de enxofre, e seu núcleo de ferro fundido parece ter um papel fundamental em sua geologia. De todos os mundos do Sistema Solar, Io pode ser um dos mais desérticos e tempestuosos, pois além de ser cheio de vulcões ativos, ele é o objeto mais seco do Sistema Solar. Não existem oceanos de água em Io. Mas cada um dos seus três irmãos - Europa, Ganimedes e Calisto - possui um oceano sob a superfície.
Europa, lua de Júpiter, registrada pela sonda Galileo em setembro de 1996
E também tem Europa, lua de Júpiter, registrada pela sonda Galileo em setembro de 1996.
Créditos: NASA / JPL / DLR
Europa é um pouco menor do que a Lua da Terra, e possui uma fina atmosfera de oxigênio. Esse mundo possui a superfície mais limpa do Sistema Solar, com poucas crateras de impacto, o que sugere que está constantemente sendo repavimentado com gelo de água, disseram cientistas. Os astrônomos que utilizam o telescópio espacial Hubble da NASA descobriram sinais de plumas de vapor de água que emanam de Europa, semelhantes aquelas encontradas em Encélado.
Algumas das luas de Saturno, como Mimas, parecem ser produto de antigas colisões catastróficas. Medindo apenas 220 km, Febe, com sua superfície escura e repleta de crateras, ejeta matéria ao espaço. Jápeto, uma das maiores luas de Saturno, possui um tom avermelhado escuro... Hipérion é um satélite pouco denso e com aparência esponjosa, lembrando muito uma pedra-pomes vulcânica. Hipérion é um dos maiores objetos irregulares (não esféricos) de todo o Sistema Solar.
Hipérion, lua de Saturno
Hipérion, lua de Saturno, registrada pela sonda Cassini.
Créditos: NASA / Cassini-Huygens
Muitos satélites de Saturno parecem ser asteroides capturados.. Cassini também descobriu pequenas lacunas nos anéis de Saturno, o que provavelmente resulta do nascimento de novas luas...
Saturno possui um complexo sistema de luas (além de seu famoso sistema de anéis). Não é a toa que ele é um dos planetas mais fascinantes do Sistema Solar. Cada um dos mundos que gira ao seu redor é como uma jóia rara pedindo para ser observada.
Imagens: (capa-ilustração/CCO/Kevin Gill) / NASA / JPL / JPL-Caltech / Space Science Institute / DLR / Cassini-Huygens

terça-feira, 5 de setembro de 2017

ASTEROIDE FLORENCE: OBSERVADAS LUAS E DETALHES IMPORTANTES

asteroide Florence tem duas luas
Dentre mais de 16.000 asteroides próximos da Terra, apenas 2 possuem as mesmas características de Florence
Imagens de radar mostram as duas luas do asteroide 3122 Florence.
Créditos: NASA / JPL
Astrônomos profissionais e amadores aproveitaram a grande oportunidade de observar o asteroide 3122 Florence durante sua máxima aproximação com a Terra, ocorrida no dia 1° de setembro. Aqui mesmo em nosso site tivemos uma transmissão ao vivo com imagens em tempo real dessa grande rocha espacial.
Existem poucas rochas espaciais tão grandes quanto Florence no espaço próximo do nosso planeta - cerca de 10 apenas - sendo Florence uma delas.
Com o auxílio de uma carta celeste e pequenos binóculos ou telescópios, já era possível encontrar o asteroide gigante passando nos céus. Com 4.4 km de diâmetro e chegando a apenas 7 milhões de km da Terra (atingindo magnitude aparente de 8.7), o asteroide Florence nos presentou com observações excelentes. Foi praticamente como uma missão em que uma sonda é enviada para estudar um asteroide. A diferença é que ao invés de enviarmos uma nave espacial ao seu encontro, o "nosso planeta serviu de sonda" para observá-lo.
O Observatório Goldstone da NASA, em Porto Rico, colocou suas antenas para trabalhar desde o dia 28 de agosto, e com isso, os cientistas do Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra (CNEOS) descobriram que o asteroide 3122 Florence possui 2 pequenos satélites naturais.
"O tamanho dessas duas luas ainda não é conhecido, mas elas provavelmente têm entre 100 e 300 metros de diâmetro", disseram membros da equipe da NASA. "O período em que as luas orbitam Florence também não é bem conhecido, mas parece ser de 8 horas para a lua mais interna e de 22 a 27 horas para a lua mais externa."
Os pesquisadores do CNEOS Lance Benner, Shantanu Naidu, Marina Brozović, e Paul Chodas (do Laboratório de Propulsão a Jato) suspeitavam que pelo menos uma pequena lua seria encontrada. Observações haviam mostrado que o asteroide Florence tinha uma rotação rápida, de aproximadamente 2.4 horas. Rotações tão rápidas como essa geralmente significam que o objeto tem um companheiro. Mas encontrar um asteroide com 2 luas é extremamente raro. Dos mais de 16.000 objetos próximos da Terra que conhecemos, apenas 3 possuem duas luas, contando com Florence. Todos os 3 sistemas foram descobertos através de observações de radar.
Animação-asteroide-Florence
Animação mostra momento da máxima aproximação do asteroide Florence com a Terra.
Créditos: NASA
As imagens de radar foram feita no dia 29 de agosto, mas elas não mostravam nada ao redor do asteroide. Após algum processamento para melhorar a qualidade das imagens, foi possível detectar os dois pequenos objetos ao redor de Florence. No dia 30 de agosto, as duas pequenas luas foram vistas novamente, confirmando as observações anteriores.
Novos detalhes sobre as luas do asteroide Florence devem ser revelados em breve. Dados do Observatório do Arecibo assim como o de Green Bank, nos EUA, devem fornecer mais detalhes sobre o tamanho e densidade dos objetos, e claro, também poderão revelar mais detalhes sobre o asteroide em si. Outros observatórios ao redor do mundo - como o Badary, que fica na Rússia, próximo da fronteira com a Mongólia - também aproveitaram a passagem do asteroide Florence para observá-lo de perto.
Essa foi uma chance única de observar um asteroide gigantesco bem de perto sem gastar os milhões de dólares que esse tipo de missão geralmente consumiria.
Ao longo dos próximos 500 anos, o asteroide Florence passará próximo da Terra mais sete vezes, e somente após o ano de 2500 é que ele chegará tão perto quanto dessa vez.
Imagens: (capa-NASA) / NASA / JPL